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EUA: morre Colin Powell, 1º secretário de Estado negro

Colin Powell, primeiro secretário de Estado negro dos EUA e ex-chefe do Estado-Maior Conjunto, morreu na manhã desta segunda-feira (18) devido a complicações decorrentes da Covid-19, segundo mensagem da família do militar publicada no Facebook. Aos 84 anos, deixa a esposa, Alma, três filhos e quatro netos.
No comunicado, os parentes do militar informam também que Powell estava completamente vacinado contra a doença e agradecem à equipe médica do hospital militar Walter Reed. “Perdemos um inesquecível e amoroso marido, pai, avô e um grande americano.”

Nenhuma vacina tem 100% de eficácia contra a Covid-19, assim como acontece com qualquer outra doença ou tratamento de saúde. Em geral, a proteção do imunizante é maior para impedir quadros graves, hospitalizações e mortes, mas pode ser consideravelmente menor para a transmissão ou infecção assintomática. Assim, mesmo indivíduos vacinados podem contrair o vírus, adoecer e morrer, embora em frequência muito menor do que os não vacinados.

Tratamento
Segundo uma porta-voz da família, Powell estava sob tratamento para mieloma múltiplo, um tipo de câncer que tem início na medula óssea, o que pode ter enfraquecido seu sistema imunológico. Em 2003, ele também foi submetido a uma cirurgia para remoção de um tumor na próstata.

Filho de imigrantes jamaicanos, Colin Luther Powell nasceu em 5 de abril de 1937, no Harlem, bairro historicamente habitado pela comunidade negra de Nova York. Ele ingressou no Exército em 1958, aos 21 anos -dez anos depois do decreto presidencial que encerrou o período de segregação racial nas Forças Armadas.
Serviu na Alemanha, na Coreia do Sul e em duas missões no Vietnã na década de 1960, durante as quais foi ferido em duas ocasiões: um acidente de helicóptero em que resgatou dois soldados e ao cair em uma armadilha conhecida como “estaca punji”.

Powell foi uma das figuras negras mais importantes dos EUA em décadas. Ele foi nomeado para cargos importantes por três presidentes republicanos, nos quais ajudou a moldar os rumos da política externa americana. Ele foi o idealizador da “Doutrina Powell”, segundo a qual a guerra deve ser o último recurso, mas quando utilizada, a força deve ser esmagadora. Além disso, intervenções militares americanas só devem ocorrer quando há expressivo apoio da opinião pública e uma estratégia clara de retirada.

Durante o governo de Ronald Reagan (1981-1989), Powell foi conselheiro de segurança nacional por dois anos no final da Guerra Fria, ajudando a negociar tratados de armas e uma era de cooperação com o então líder soviético, Mikhail Gorbatchov.

Jovem
Como general de quatro estrelas do Exército, foi chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas -o mais jovem e também o primeiro negro no cargo- no governo de George H. W. Bush (1989-1993) durante a Guerra do Golfo, em 1991, na qual as forças lideradas pelos EUA expulsaram tropas iraquianas do Kuwait. Dois anos depois, em 1993, ele se aposentou do Exército.

Mais tarde, em 2001, serviu como secretário de Estado de George W. Bush, o que, à época, o tornou o afroamericano com o maior cargo no alto escalão do governo americano. Na linha de sucessão presidencial, ele ocupava a quarta posição.

“Acho que isso mostra ao mundo o que é possível neste país”, disse Powell, diante dos senadores durante a audiência de confirmação de sua indicação ao cargo. “Se vocês acreditam nos valores que defendem, podem ver coisas tão milagrosas quanto eu sentado diante de vocês para receber essa aprovação.” Na ocasião, sua nomeação foi aprovada com unanimidade pelo Senado. Powell também era frequentemente mencionado por uma apresentação controversa em 5 de fevereiro de 2003, durante reunião do Conselho de Segurança da ONU.

Armas químicas
Na ocasião, o então chefe da diplomacia americana argumentou a favor das afirmações de Bush segundo as quais o ditador iraquiano Saddam Hussein (1937-2006) constituía um perigo iminente para o mundo devido aos seus supostos estoques de armas químicas e biológicas.

“Deixar Saddam Hussein na posse de armas de destruição em massa por mais alguns meses ou anos não é uma opção, não em um mundo pós-11 de Setembro’’, disse Powell. A invasão ocorreu seis semanas depois, mas nenhuma dessas armas foi encontrada, minando a credibilidade americana por anos.

Powell reconheceu mais tarde que a apresentação estava repleta de imprecisões e informações distorcidas fornecidas por membros do governo Bush. Para ele, o episódio representou “uma mancha” que sempre faria parte do seu histórico. Quase um ano depois, em janeiro de 2004, ele deixou o cargo.

Em um livro de memórias publicado em 2012, ele disse ter ficado bravo consigo mesmo por seus instintos não terem percebido o problema do relatório sobre as supostas armas de Hussein. “Não foi de forma alguma o primeiro, mas foi um dos meus fracassos mais importantes, aquele com o impacto mais amplo. O evento ganhará um parágrafo de destaque em meu obituário”, escreveu Powell.

Pragmático
Um republicano moderado e pragmático, Powell recebeu um convite para tentar se tornar o primeiro presidente negro dos EUA em 1996, mas as preocupações com sua segurança, expressas principalmente por sua esposa, Alma, e a falta de “paixão” pela política eleitoral o fizeram rejeitar a proposta, depois de ter, inclusive, escrito o discurso em que anunciaria a candidatura.

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