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EUA vão retirar seus cidadãos do Haiti em meio a onda de violência

segunda-feira, 18 de março 2024

Os Estados Unidos terão voo para retirar os cidadãos americanos do Haiti em meio à escalada de violência no país caribenho, informou a embaixada de Washington. O avião partirá da segunda maior cidade do Haiti, Cabo Haitiano, já que o aeroporto da Capital, Porto Príncipe, permanece fechado.
O comunicado não especificou a data da retirada nem deixou claro quantos americanos poderão sair, mas pediu para os interessados entrarem em contato com a embaixada. A entidade diplomática alertou, porém, que a viagem de 200 quilômetros de Porto Príncipe para Cabo Haitiano é “perigosa” e aconselhou os cidadãos a considerarem o voo “apenas se acreditarem que podem chegar com segurança ao aeroporto”.
O Haiti é palco de uma explosão de violência por parte de gangues criminosas, que se uniram para pedir a saída do primeiro-ministro, Ariel Henry. Na última terça-feira (12), o impopular chefe de governo, que está no poder desde o assassinato do presidente Jovenel Moïse em 2021, prometeu renunciar assim que um conselho de transição e um líder temporário fossem escolhidos.
Trata-se da segunda ação dos EUA para poupar cidadãos americanos no país em uma semana. No último domingo (10), as Forças Armadas dos EUA disseram ter feito uma operação para retirar funcionários não essenciais da Embaixada em Porto Príncipe e reforçaram a segurança. “Este transporte de pessoal para dentro e para fora da embaixada está de acordo com nossa prática padrão de aumento de segurança de embaixadas em todo o mundo, e nenhum haitiano estava a bordo da aeronave militar”, disse o Comando Sul dos EUA em um comunicado na ocasião.
Ao anunciar a renúncia, Henry jogou o país em um cenário de mais incerteza. A decisão fez o Quênia, por exemplo, anunciar que pausaria o envio de missão multinacional para ajudar os haitianos a combater as gangues armadas e proteger a infraestrutura urbana. O país africano recuou no dia seguinte, mas o envio de reforço policial ainda é uma dúvida, já que a liberação do financiamento para a operação depende do Congresso americano.
A futura renúncia de Henry está ligada ao agrupamento das gangues, que recentemente passaram a atuar de forma conjunta, tentando não somente ampliar o controle pela Capital como se transformar em uma força política capaz de participar das negociações que estão sendo intermediadas por governos estrangeiros. Enquanto isso, a população tenta se proteger da insegurança. Grupos de direitos humanos relatam assassinatos, sequestros e violência sexual generalizados, e centenas de milhares de pessoas foram deslocadas pelo cenário de violência e insegurança.

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