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“Fratura democrática”, diz Macron em carta aos franceses

terça-feira, 25 de junho 2024

Em meio aos esforços para impedir que a extrema direita vença as eleições na França, o presidente Emmanuel Macron publicou, nesta segunda-feira, 24, uma carta aberta aos franceses em jornais regionais. No texto, o presidente responde aos críticos que desaprovam a dissolução da Assembleia Nacional feita por ele, defendendo que aquela era “a única decisão que poderia fazer o país avançar e se unir”.
Logo depois, reconheceu o que classificou como aspectos negativos dos programas de coligações tanto da extrema direita, quanto da extrema esquerda. Ambos ocupam as primeiras posições nas pesquisas que tentam prever o resultado da votação. Para Macron, somente o bloco de centro pode garantir a estabilidade no país. Mesmo assim, o presidente afirmou ter compreendido o “sentimento de revolta” contra ele, o que levou a extrema direita a vencer as eleições europeias. “Eu não sou cego e entendo a ‘fratura democrática’, a divisão entre o povo e os dirigentes do país. É preciso mudar profundamente a forma de governar”, escreveu.
Em outro momento neste mês, Macron já havia evidenciado suas inquietações sobre o assunto, quando pediu que os partidos rivais de ambos os lados políticos se unissem a ele para a formação de uma aliança democrática contra o Reunião Nacional (RN). “Não quero dar as chaves do poder à extrema direita em 2027, portanto, aceito plenamente o fato de ter desencadeado um movimento para prestar esclarecimentos”, disse, reforçando a crença de que as políticas defendidas pelo partido em questão enfraquecerão os trabalhadores e os aposentados.
Ele também já havia reconhecido que cometeu erros durante sua gestão e disse saber que as pessoas sentem que não estão sendo ouvidas. A votação deverá acontecer nos dias 30 de junho e 7 de julho. No entanto, é necessário ressaltar que, mesmo que a oposição vença, Macron permanecerá sendo o presidente por mais três anos, sendo responsável pela defesa e pela política externa.
Caso, de fato, venha a perder o pleito, o atual chefe do Executivo francês perderá o controle sobre a agenda doméstica de seu território, o que inclui assuntos como política econômica, segurança, imigração e finanças. Mesmo diante da crise interna, o presidente já deixou claro que não pretende renunciar caso seja derrotado e garantiu que não debaterá com Marine Le Pen, líder da extrema direita na França.
Com a publicação da carta, alguns editorialistas interpretaram como um “ato de contrição”, ou seja, uma forma do presidente expressar que se arrependeu de ter convocado eleições antecipadas depois de ter perdido no pleito para o Parlamento Europeu e dissolvido a Assembleia. 170 diplomatas e ex-diplomatas franceses publicaram uma petição no jornal Le Monde contra a perda de influência da França e da União Europeia no cenário internacional, caso a extrema direita chegue ao poder no país.
Os diplomatas, inclusive, citaram o Brasil como exemplo no contexto do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os norte-americanos também foram mencionados, com relação ao período de administração de Donald Trump. Por fim, o Reino Unido foi utilizado como exemplo, porém, para falar dos acontecimentos após a decisão de deixar a União Europeia, o que ficou conhecido como “Brexit”.
O avanço da extrema direita na Europa é um motivo de preocupação para o governo brasileiro. Em recente viagem ao continente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou enxergar com otimismo uma eventual continuidade da liderança de Macron para que o acordo entre o bloco europeu e o Mercosul seja finalizado. “Até o Macron estava mais flexível em relação ao acordo. [Me falou:] ‘deixa acabar as eleições para a gente conversar”, revelou.

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