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Guerra causa destruição em bairro que homenageia brasileiros na Faixa de Gaza

domingo, 23 de junho 2024

Um campo de refugiados batizado em homenagem ao Brasil é um dos cenários da guerra em Gaza. Nas últimas semanas, tanques e soldados israelenses têm passado por suas ruas. Nos céus, seus drones e aviões.

Al-Brazil fica no sul de Rafah, na fronteira com o Egito. É nessa província que Israel tem concentrado seus esforços, que justifica afirmando que a região é hoje refúgio de terroristas armados do Hamas.
O palestino Muhammad Mansur, 27, nasceu ali. Cresceu ouvindo a palavra Brasil. O bairro recebeu esse nome porque soldados brasileiros integraram forças de paz da ONU no local durante os anos 1950 e 1960.

O bairro, onde vivem refugiados de conflitos anteriores com Israel, foi construído em torno de uma rua também de nome Al-Brazil. Segue por alguns quarteirões, desembocando na fronteira entre Gaza e o Egito. A homenagem faz sentido. O Brasil tem entre os palestinos a fama de ser um país tradicionalmente aliado à sua causa. Uma rua ao lado do mausoléu de Yasser Arafat, líder histórico palestino, chama-se Al-Brazil.

Essa reputação estremeceu durante o governo de Jair Bolsonaro, que privilegiou as relações com Israel e chegou a ameaçar transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv a Jerusalém, decepcionando palestinos.
Sobre o campo Al-Brazil em Rafah, Mansur diz que as casas no local são “simples, de gente pobre, refugiados”. “Mas antes da guerra havia bastante alegria. Jovens se divertiam nas ruas. As famílias se ajudavam. Existia vida, ao menos.”

A situação começou a mudar em 7 de outubro, quando o Hamas atacou Israel em um atentado que deixou 1.200 mortos e tomou 250 reféns, segundo Tel Aviv. O Exército israelense revidou bombardeando a faixa.
As ações israelenses deixaram mais de 37 mil mortos até agora, segundo o Hamas. Organizações internacionais acusam Israel de fazer ataques desproporcionais e de cometer crimes de guerra, algo que Tel Aviv nega.

A princípio, Israel sugeriu aos moradores da Faixa de Gaza que buscassem refúgio na região sul. “Falaram que seria um lugar seguro”, diz Mansur. Centenas de milhares se abrigaram ali nos primeiros meses.

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