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Irã ataca Israel e acende alerta para escalada de tensões

segunda-feira, 15 de abril 2024

Conforme já estava sendo especulado por Israel e outras nações, o Irã orquestrou um ataque com drones contra o país governado por Benjamin Netanyahu no último sábado, 13. A situação, segundo os iranianos, foi uma resposta ao bombardeio no consulado do Irã na Síria, que culminou na morte de dois líderes militares. No entanto, Israel nunca reivindicou a autoria de tal operação. O ataque de sábado ocorreu durante a madrugada e levou ao disparo de, pelo menos, 300 artefatos.

De acordo com Israel, 99% dos mísseis foram bloqueados e o porta-voz das Forças de Defesa do país, Daniel Hagari, garantiu que os sistemas defensivos continuam em “total funcionamento”. Por outro lado, o governo do Irã afirmou que o chamado “Domo de Ferro” falhou e que alvos foram atingidos com sucesso. Até o momento de produção deste texto, já havia a confirmação de uma base militar bombardeada, porém, os israelenses argumentam que os danos causados foram pequenos.
Além disso, uma menina de 7 anos ficou gravemente ferida após ser atingida na cabeça por estilhaços de um míssil. A criança passou por cirurgia e está sendo acompanhada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O chefe das forças iranianas, Mohammad Bagheri, detalhou que a situação está encerrada e que, a partir de agora, o Irã não planeja qualquer novo ataque contra Israel, mas alertou que se os israelenses os atacassem, os iranianos voltariam a retaliar.

O mesmo posicionamento foi apresentado pelo presidente do Irã, Ebrahim Raisi, no domingo, 14, que prometeu uma resposta mais pesada no caso de qualquer “nova agressão contra os interesses da nação iraniana”. Em um pronunciamento, o presidente disse que o Irã ensinou uma lição “inesquecível” a Israel e acusou o país de Netanyahu de ser o responsável pela crise no Oriente Médio. “O Irã atribui a causa profunda da crise na região às políticas genocidas e violentas do regime sionista”, declarou.
O Ministro de Relações Exteriores iraniano, Hossein Amirabdollahian, também defendeu a operação pontuando que “Exercer o direito de defesa legítima mostra a abordagem responsável do Irã à paz e segurança regional e internacional”. Por outro lado, o presidente de Israel, Isaac Herzog, disse, ainda no sábado, que o ataque foi como uma “declaração de guerra”, mas ressaltou que os israelenses não estão procurando por mais conflitos. “A última coisa que Israel procura na região desde a sua criação é uma guerra: estamos em busca da paz”, afirmou, acrescentando que o grupo radical islâmico Hamas é o responsável pelas instabilidade no Oriente Médio, uma vez que antes do ataque de outubro do ano passado, Israel estava construindo uma convivência pacífica com seus vizinhos árabes.
Após a operação, o mundo assistiu ao aumento das tensões e do medo de que o Oriente Médio passasse a viver uma crise ainda mais grave do que a que está se desenvolvendo na região de Gaza, onde Israel está enfrentando as forças do Hamas. Depois de um telefonema com o presidente dos Estados Unidos (EUA), Joe Biden, e dos apelos feitos pelo G7 e outros países da região, Israel decidiu não responder imediatamente o ataque iraniano, mas o ministro de Guerra, Benny Gantz, ressaltou que a situação será revidada “no momento que nos convier”.
Em comunicado, Gantz afirmou que o Irã não é apenas um perigo para o seu país, mas “um problema global”. “Ontem, o mundo esteve unido a Israel”, disse. “Construiremos uma coligação regional e cobraremos o preço ao Irã da forma e no momento que nos convier. E o mais importante: face ao desejo dos nossos inimigos de nos prejudicar, iremos nos unir e nos tornar mais fortes”, prometeu.
Conforme as informações divulgadas pela mídia internacional, para convencer Benjamin Netanyahu a não contra atacar naquele momento, Biden argumentou que Israel não sofreu graves danos no ataque. Além disso, o democrata teria dito que os norte-americanos não participarão de qualquer ataque israelense contra o Irã.

Reação internacional
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) também já havia se manifestado sobre o assunto dizendo ser “essencial que o conflito no Oriente Médio não se torne incontrolável”. A Itália, que preside o G7, pediu “prudência” aos israelenses.
O Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres, recomendou o “fim imediato das hostilidades” e o Papa Francisco pediu que Teerã e Tel Aviv não espalhem o conflito pelo Oriente Médio. “Chega de guerra, chega de atentados, chega se violência. Sim ao diálogo, sim à paz”, escreveu o Vaticano.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarou que o som dos drones iranianos deveriam servir como um “chamado de despertar para o mundo livre”. “Nós, na Ucrânia, conhecemos muito bem o horror de ataques semelhantes por parte da Rússia […] O som dos drones Shahed, uma ferramenta de terror, é o mesmo nos céus do Médio Oriente e da Europa”, disse. Para ele, a ação do Irã é uma ameaça para a região e para o mundo, tal como as ações da Rússia ameaçam um conflito maior. “As palavras não param os drones e não interceptam mísseis. Somente a assistência tangível o faz”, pontuou.
O ministro das Relações Exteriores turco, Hakan Fidan, por sua vez, conversou com seu homólogo no Irã neste domingo e alertou que a Turquia não quer uma nova escalada de tensão na região. Em resposta, Hossein Amirabdollahian teria reiterado que a “operação de retaliação” chegou ao fim e que não haverá uma nova situação, a menos que o Irã venha a ser atacado.
A Força Aérea Brasileira (FAB) garantiu que está à disposição para retirar brasileiros das áreas de conflito. Conforme os militares, a atuação depende de acionamento pelas autoridades competentes. Em nota, o Itamaraty lembrou que já havia informado sobre a possibilidade de que problemas se espalhassem para nações vizinhas e pediu que Israel e Irã evitassem causar maiores danos aos civis. “O governo brasileiro acompanha, com grave preocupação, relatos de envio de drones e mísseis do Irã em direção a Israel, deixando em alerta países vizinhos como Jordânia e Síria. […] O Itamaraty vem monitorando a situação dos brasileiros na região, em particular em Israel, Palestina e Líbano desde outubro passado”, escreveu o Ministério de Relações Exteriores do Brasil.
O governo também desaconselhou que a população viajasse para o local e pediu que os brasileiros que já estão em meio à zona de tensões que seguissem “as orientações divulgadas nos sítios eletrônicos e mídias sociais das embaixadas brasileiras”.

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