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Lula e Macron anunciam investimentos de R$ 5,3 bilhões para Amazônia

quarta-feira, 27 de março 2024

Reunidos em Belém, os presidentes da França, Emmanuel Macron, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciaram um plano de investimentos em bioeconomia para a Amazônia.
A iniciativa pretende alavancar 1 bilhão de euros (cerca de R$ 5,3 bilhões) em recursos públicos e privados nos próximos quatro anos. O montante deve ser voltado tanto para a floresta amazônica em território brasileiro quanto para aquela que está na Guiana Francesa (território do país europeu).
O programa prevê, entre outras ações, uma parceria técnica e financeira entre bancos públicos brasileiros, incluindo o Banco da Amazônia e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), e a Agência Francesa de Desenvolvimento.
O plano inclui também a previsão de colaboração na área científica, com a criação de um centro de pesquisa, investimento e compartilhamento de tecnologias, através de um novo acordo científico entre os dois países. Esse projeto deve ser operado pela Embrapa e pelo Cirad (centro de pesquisa francês para a agricultura).
Os presidentes anunciaram ainda uma coalizão para pedir que mercados de créditos de carbono respeitem padrões elevados, atuando no combate ao chamado “greenwashing” e no estabelecimento de um mercado regulado internacional.
Esta é a primeira visita de Macron à América Latina. O francês pousou na base aérea de Belém perto das 16h e seguiu para a Estação das Docas, famoso ponto turístico, onde encontrou com Lula. O acesso do público a ambos os locais foi vedado.
Macron chegou ao país para uma visita de três dias, depois de passar pela Guiana Francesa. Ele ficará algumas horas na capital paraense, onde conheceu, com Lula, a ilha do Combu, uma das maiores da cidade.
Lá visitou uma fábrica de chocolates sustentáveis e concedeu o título de cavaleiro da Legião de Honra da França ao cacique Raoni Metuktire, líder dos kayapós que é referência da luta por direitos dos povos indígenas e defensor do meio ambiente.
A comitiva incluiu as ministras do Meio Ambiente, Marina Silva, e dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, além do governador do Pará, Helder Barbalho.
Após a visita ao Combu, os chefes de Estado seguem para o Rio de Janeiro.
A vinda do presidente francês a Belém envolveu um esquema de segurança reforçado, coordenado pela Marinha. Devido ao atentado terrorista ocorrido em Moscou na última sexta-feira (22), a França está em estado de alerta máximo.
O objetivo da visita ao Brasil, segundo o governo francês, é que os dois presidentes discutam questões de proteção da biodiversidade, transição ecológica e descarbonização das economias.
Neste ano, o Brasil sediará a cúpula do G20, no Rio de Janeiro, e em 2025 a COP30. A cúpula do clima da ONU está prevista para acontecer em Belém, mas, como a Folha de S.Paulo mostrou na semana passada, o governo estuda transferir parte dos eventos para cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, onde há maior infraestrutura.

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