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Mundo

Macron alerta para risco de fragmentação da Europa

sexta-feira, 26 de abril 2024

Em um discurso realizado na Universidade de Sorbonne, em Paris, o presidente Emmanuel Macron alertou, nesta quinta-feira, 25, para os riscos de que pressões militares, econômicas, comerciais e outras razões acabem levando à fragmentação da União Europeia (UE). “Existe o risco de a nossa Europa morrer. Não estamos equipados para enfrentar os riscos”, disse o chefe do Executivo francês.
Na fala, o político, que está em seu segundo e último mandato no país, ponderou que a Rússia não deve vencer a guerra contra a Ucrânia, que ocorre no leste do continente desde fevereiro de 2022, e pediu também que a capacidade de segurança cibernética da Europa fosse impulsionada, que houvesse esforços para o estabelecimento de laços de defesa mais estreitos com a Grã-Bretanha pós-Brexit e a criação de uma academia europeia para treinar militares de alto escalão. “Não há defesa sem uma indústria de defesa. Tivemos décadas de subinvestimento”, criticou o Macron.
Na visão dele, os europeus devem, inclusive, dar prioridade à compra de equipamentos militares originários da própria Europa. “Temos que produzir mais, temos que produzir mais rápido e temos que produzir como europeus”, argumentou. O francês afirmou que há o risco de o continente ser prejudicado economicamente diante de um cenário internacional em que as regras de livre comércio estão sendo desafiadas pelos principais concorrentes. Por isso, Macron também defendeu que houvesse uma redução de burocracia nas pequenas e médias empresas, bem como pediu por mercados menos fragmentados para energia, telecomunicações e serviços financeiros.
Além disso, o francês ressaltou que a Europa precisa mostrar que “nunca é vassala dos Estados Unidos e que também sabe como conversar com todas as outras regiões do mundo”. O líder político é um entusiasta do que chama de “autonomia estratégica”, que envolve medidas como ter uma menor dependência dos norte-americanos. Tal ideia ganhou ainda mais destaque diante da provável nova candidatura do ex-presidente Donald Trump para o cargo mais alto do Executivo do país. O representante republicano sempre acusou os europeus de tirarem vantagens de defesa dos Estados Unidos.

Política interna
Há sete anos, um discurso feito pelo presidente francês na mesma universidade antecipou algumas mudanças significativas na política do bloco econômico. Atualmente, em um momento no qual Macron não detém mais a maioria parlamentar do país, ele também tenta demonstrar possuir a energia que o levou à presidência em 2017 e espera impactos semelhantes com os comentários.
A fala de ontem em Sorbonne foi anunciada pelos conselheiros do político como a contribuição francesa para a agenda estratégica da União Europeia nos próximos cinco anos. Tal agenda só deverá ser definida após as eleições nas quais os líderes do bloco negociarão os principais cargos dentro do grupo.
Internamente, o presidente centrista lida com a queda de popularidade enquanto as pesquisas indicam que seu partido está perdendo espaço para o Rassemblement National (RN) de extrema-direita. Os levantamentos apontam ainda, um outro obstáculo a ser superado por Macron, uma vez que seu Renew, que atualmente é o terceiro maior partido no Parlamento Europeu, pode vir a ocupar a quarta posição, o que limitaria ainda mais a influência do chefe de Estado que ainda tem três anos de mandato a cumprir. As eleições para o Parlamento devem acontecer entre os dias 6 e 9 de junho.

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