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Venezuela aumenta presença na fronteira com a Guiana

quarta-feira, 15 de maio 2024

Um relatório do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) alertou que a Venezuela continua construindo infraestruturas e equipamentos militares perto da fronteira com a Guiana, país contra o qual o governo de Nicolás Maduro tem aumentado o tom sobre a disputa pelo território de Essequibo, rico em petróleo. Conforme o documento, mesmo que os venezuelanos tenham “pouco a ganhar e muito a perder com um conflito em plena expansão” ainda há um “jogo perigoso” sendo desenvolvido na região.
“A constante afirmação de que ‘o Essequibo é nosso’, juntamente com a criação de novos comandos militares e estruturas legais para supervisionar a defesa da região, está ajudando a institucionalizar um sentimento de perpétua posição pré-guerra”, pontuou o Centro. O território em questão está envolvido em uma disputa antiga, mas que ganhou um novo capítulo no final do ano passado, quando o governo da Venezuela realizou um referendo que terminou com a maior parte da população votando pela anexação do espaço.
Em dezembro de 2023, ambos os países concordaram em procurar uma via diplomática para solucionar o problema. No entanto, utilizando imagens de satélite e redes sociais, o CSIS detalhou que a base militar da Ilha Anacoco continuou sendo expandida. De acordo com os pesquisadores, uma ponte foi construída sobre o rio Cuyuni para conectar a margem venezuelana do rio à ilha.
Além disso, o campo de aviação no local agora conta com uma pequena torre de controle, segundo o CSIS. As imagens de satélite revelaram ainda uma área próxima ao campo de aviação com tendas suficientes “para uma unidade do tamanho de um batalhão com várias centenas de agentes”.
Na última semana, dois caças F/A-18 da Marinha dos Estados Unidos sobrevoaram a cidade de Georgetown para demonstrar a “cooperação de segurança de rotina e a expansão da parceria bilateral de defesa com a Guiana”, pontuou a embaixada norte-americana.
À CNN, o diretor do Programa das Américas do CSIS e principal autor do relatório, Ryan Berg, disse não parecer que “os venezuelanos estão tirando o pé do acelerador”. Paralelamente, há especulações sobre a possibilidade de que as eleições presidenciais da Venezuela, que devem ocorrer no fim de julho, tenham dado a Maduro motivação para aumentar a tensão com a Guiana. “Maduro pode ficar tentado a intensificar tanto a retórica como a ação relacionadas a Essequibo, numa verdadeira estratégia para fabricar uma crise regional no rescaldo de uma eleição roubada”, afirmou o Centro de Estudos.
Em abril, durante uma cerimônia na Assembleia Nacional venezuelana, o chefe do Executivo promulgou uma lei reivindicando a posse do seu país sobre Essequibo, o que foi posteriormente considerado pela Guiana como um ato ilegal. “Essa tentativa da Venezuela de anexar mais de dois terços do território soberano da Guiana e torná-lo parte da Venezuela constitui uma flagrante violação dos princípios mais fundamentais do direito internacional”, descreveu o Ministério de Relações Exteriores guianense.
A lei conta com 39 artigos que regulamentam a fundação da chamada “Guiana Essequiba”. Em um deles, está previsto, por exemplo, o impedimento de que apoiadores do governo da Guiana exerçam cargos públicos ou eletivos. “Com o poder que a constituição me confere, a decisão tomada pelos venezuelanos no referendo consultivo será cumprida em todas as suas partes e, com esta Lei, continuaremos a defesa da Venezuela nos palcos internacionais”, declarou Maduro à época.

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