32 C°

9 fevereiro 2024.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

aniversario
aniversario

Nacional

Bolsonaro pediu e aprovou alteração em minuta do golpe

sexta-feira, 09 de fevereiro 2024

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que autorizou as prisões e buscas nessa quinta-feira (8) afirma que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve acesso e pediu modificações na chamada “minuta do golpe”, mantendo a previsão de prisão de Moraes. “Os elementos informativos colhidos revelaram que Jair Bolsonaro recebeu uma minuta de decreto apresentado por Filipe Martins [então seu assessor] e Amauri Feres Saad para executar um golpe de Estado, detalhando supostas interferências do Poder Judiciário no Poder Executivo”, cita a determinação judicial.

“Ao final, decretava a prisão de diversas autoridades, entre as quais os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco”, continuou. “Posteriormente foram realizadas alterações a pedido do então presidente, permanecendo a determinação de prisão do Ministro Alexandre de Moraes e a realização de novas eleições.”
As informações que embasaram a operação foram coletadas na delação de Mauro Cid, tenente-coronel que foi ajudante de ordens de Bolsonaro. Entre as provas utilizadas pela PF para fundamentar o pedido da operação, estão mensagens de áudio encaminhadas por Cid para o general Freire Gomes, ex-comandante do Exército.

Segundo Moraes, essas mensagens “sinalizam que o então presidente Jair Messias Bolsonaro estava redigindo e ajustando o decreto e já buscando o respaldo do general Estevam Theophilo Gaspar de Oliveira (há registros de que este último esteve no Palácio do Planalto em 9/12/2022), tudo a demonstrar que atos executórios para um golpe de Estado estavam em andamento”.

As mensagens analisadas pela Polícia Federal (PF) apontam, segundo o ministro, que em novembro de 2022 Bolsonaro abandonou a ideia de aceitar a derrota nas urnas para “analisar a possibilidade de ‘virada de jogo’, como defendido por alguns militares, empresários e integrantes de seu governo”. Nas mensagens, Cid dizia que Bolsonaro “enxugou o decreto” e deixou “muito mais resumido. Ele reduziu bastante. Fez algo muito mais direto, objetivo e curto, e limitado”.

A PF afirma que nota assinada em 11 de novembro pelos três comandantes das Forças Armadas, que dizia que elas permaneciam “vigilantes, atentas e focadas em seu papel constitucional na garantia de nossa Soberania, da Ordem e do Progresso”, foi importante para manter e intensificar manifestações antidemocráticas. Depois disso, as mensagens mostram que houve tratativas para a realização de reuniões com integrantes civis do governo e das Forças Armadas “para a finalidade de planejar e executar ações voltadas a direcionar e financiar as manifestações que pregavam um golpe militar, com a finalidade de manter o então presidente da República Jair Messias Bolsonaro no poder”.

Monitoramento
Com ajuda de outras pessoas, Mauro Cid monitorou a agenda e o deslocamento de Moraes, que também é presidente do TSE. Segundo a PF, o objetivo é que ele fosse preso assim que ocorresse o golpe de Estado que os aliados de Bolsonaro são suspeitos de terem planejado após a derrota eleitoral para Lula (PT), em 2022.

As mensagens que discutem o monitoramento estavam no celular de Mauro Cid, que fechou acordo de delação premiada. Em 16 de dezembro de 2022, outro ex-assessor de Bolsonaro, Marcelo Câmara, manda a Cid um itinerário: “Viajou para São Paulo hoje (15/12), retorna na manhã de segunda-feira e viaja novamente pra SP no mesmo dia. Por enquanto só retorna a Brasília pra posse do ladrão. Qualquer mudança que saiba lhe informo”.

Nos dias 21 e 24 do mesmo mês, Cid questiona Marcelo Câmara sobre “onde está a professora”, e Câmara responde: “Na residência em SP. Eu não sei onde fica”. Esses deslocamentos são coincidentes com o de Moraes à época, e os investigadores afirmam que “professora” é um codinome utilizado por Cid e Câmara para o ministro. Marcelo Câmara foi preso ontem.

Principais envolvidos
Entre os principais envolvidos no caso estão Filipe Martins (ex-assessor especial de Bolsonaro); Marcelo Câmara (coronel do Exército); Rafael Martins (major das Forças Especiais do Exército); Bernardo Romão Corrêa Netto (coronel do Exército); Valdemar Costa Neto (presidente do PL); Braga Netto (ex-ministro da Defesa e candidato a vice de Bolsonaro em 2022); Augusto Heleno (ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI); general Paulo Sérgio Nogueira (ex-comandante do Exército); almirante Almir Garnier Santos (ex-comandante-geral da Marinha).

hoje

Mais lidas

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com