32 C°

.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

aniversario
aniversario

Nacional

Coquetel de vices

terça-feira, 01 de julho 2008

Celso Machado, jornalista, advogado, diretor da Imprensa Oficial, foi dos mais ilustres cardeais do PP (Partido Progressista) de Minas antes de 1945, do PSD depois de 1945 e da Arena depois de 64. Em 24 já era deputado estadual, reeleito em 27 e 30. Em 33, eleito para a Assembléia  Nacional Constituinte e em 34 para o mandato federal que acabou no golpe do Estado Novo, de Getúlio Vargas, em novembro de 37.


Em dezembro de 45, eleito para a Constituinte de 46 (PSD), exerceu o mandato até janeiro de 51. Depois, secretário de Segurança do governo Bias Fortes. Em 71, o governo Médici nomeou Rondon Pacheco, da Arena-UDN, governador de Minas, e precisavam de um representante da Arena-PSD para vice-governador,que não ameaçasse nem atropelasse os udenistas.


Discreto, competente, vivendo franciscanamente no seu retiro do Hotel Financial, em Belo Horizonte, a UDN e o PSD foram buscar Celso Machado lá, para unir as duas bandas que restavam da política mineira.


Celso Machado


Suas virtudes foram sua desdita. Escolhido vice-governador, o governador Rondon Pacheco não gostava de recepções oficiais nem sociais. Pedia sempre ao vice que fosse representa-lo. Já com 75 anos (nasceu em Araxá em 1895), acostumado com seus mingaus, suas sopinhas, seus ensopadinhos mineiros, Celso Machado começou a ir a coquetéis e festas.


Mesmo bebendo e comendo moderadamente, precavidamente, ele não conseguia livrar-se de um uísque batizado, um Martini azedado, canapés velhos, salmons estragados, empadinhas doentes. Não resistiu. Teve uma infecção gástrica, morreu em 74, antes do fim do governo.


Causa-mortis: coquetel de vice.


Odin Andrade


Odin Andrade, saudoso jornalista mineiro, sábio de alma pessedista, tinha uma tese sobre o vice, todos os vices:


– Sempre trato bem o vice. Qualquer vice. O vice é um carente, um desprotegido. Está sempre esperando, esperando o poder que não vem, como o Pedro Pedreiro de Chico Buarque esperando o trem, que não vem. Quando chega sua vez, se por acaso chega sua vez, o vice está úmido de gratidão por aqueles que com ele esperaram. E você está bem com ele.


Ricardo Coutinho


Chego à Paraíba e encontro não um coquetel de vice, mas um coquetel de vices: 16 de uma vez. Aqui, não vai haver eleição para prefeito, mas para vice-prefeito. O prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho (do PSB) é um fenômeno nacional, exclusivo, único. Candidato à reeleição, não tem concorrentes: está com mais de 80% de aprovação nas pesquisas de avaliação da administração e nas pesquisas eleitorais.


O prefeito disputa a reeleição, já é candidato a governador em 2010 e deixará o município para o vice de 2010 a 12: 16 partidos se candidataram à boca-livre, do PMDB ao PV. Criaram um Conselho Político Municipal de todos os partidos, cada um com seu candidato. Chegaram a 10 nomes, que foram levados ao prefeito, para, do coquetel de vices, ele tirar sua cereja.


De fora, ficou o PSDB do governador Cássio Cunha Lima, que lançou um nome sem qualquer possibilidade de disputa, só para constar.


Jurema pai


Filho de peixe é peixinho. Abelardo Jurema Filho é a alma e a garra do pai, deputado, senador, líder de Juscelino na Câmara, ministro da Justiça de João Goulart, a quem ficou fiel e solidário até o último instante, quando sua derrubada já era certa e sabida, marcada para os primeiros dias de abril.


Até onde me lembro, porque estava lá, foi o único ministro de Jango a comparecer com ele e falar no suicida encontro dele com os sargentos e marinheiros rebelados, no Automóvel Clube do Rio, na rua do Passeio,  Cinelandia, na noite de 30 de março de 1964, que levou o general Mourão Filho a antecipar o começo do golpe de 64 para o dia seguinte,31 de março.


Jurema filho


Abelardo Jurema, o filho, jornalista formado no Rio, na escola do %u201CJornal do Brasil%u201D, com a coluna social-política mais lida do Estado (no %u201CCorreio da Paraiba%u201D), e um programa de TV líder de audiência, editor e empresário de comunicação, promove a eleição, todo ano, de alguns homenageados com o %u201CTroféu Heitor Falcão%u201D, que, como fez o saudoso jornalista Heitor durante décadas, com seu histórico %u201CJornal de H%u201D, prestam serviços públicos à imprensa, ao povo paraibano e ao país.


Também homenageados, o ex-senador e agora deputado federal Marcondes Gadelha, do PSB, que vem dos bravos tempos do %u201CMDB Autêntico%u201D, e eu, relembramos  algumas  histórias que testemunhamos e das quais Tristão de Athayde disse que não passam nunca, porque %u201Co passado não é o que passou, mas o que ficou do que passou%u201D.


Filho do exílio


Abelardo Filho está terminando um livro muito interessante: %u201CHistórias de um Filho do Exílio%u201D. Um livro do outro lado da rua. A história do exílio de 64, no Brasil, e é assim no mundo inteiro, é sempre contada pelos que sairam, sofreram, viveram e tantos nele se devastaram.


O filho do ministro da Justiça de Jango, exilado no Peru, é o pungente depoimento do menino de dez anos que de repente viu seu mundo de filho do ministro da Justiça desabar de uma hora para outra, o pai longe, ter que mudar-se da casa grande para o apartamento miudinho, viver as agruras da família pobre e ver os amigos de ontem logo se escafederem.


 

hoje

Mais lidas

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com