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terça-feira, 30 de novembro de 2021.
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Nacional

CPI: parentes de vítimas cobram relatório firme

A CPI da Covid recebeu nesta segunda-feira (18) familiares de vítimas da pandemia. Os depoimentos foram carregados de dor, luto e repúdio às ações do governo Jair Bolsonaro na crise sanitária. Ainda reforçaram a pleito do grupo majoritário da comissão de que é preciso criar uma pensão para órfãos da pandemia.

Os convidados representaram diferentes regiões do Brasil, entre eles uma enfermeira que viveu “uma guerra” em Manaus, um pai que perdeu o filho e ouviu “e daí?” de bolsonaristas e uma filha que viu a mãe morrer recebendo tratamento com kit Covid na Prevent Senior. Falou ainda à comissão representante da ONG Rio da Paz.
Os parentes das vítimas cobraram um relatório firme da CPI, expondo falhas do governo na crise sanitária e se opondo a promoção de políticas que ferem a ciência, como a distribuição de medicamentos sem eficácia.

A CPI também divulgou música de Ivan Lins feita em homenagem às vítimas da pandemia. Um dos depoimentos mais dramáticos da sessão da CPI foi o do taxista Márcio Antonio do Nascimento Silva, pai de Hugo Dutra, vítima da Covid-19 aos 25 anos, em abril de 2020.

Em junho do ano passado, Silva recolocou na areia da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, cruzes brancas de protesto pelas mortes na pandemia, que haviam sido derrubadas em ato de vandalismo.
“Quando cheguei [à praia], tive ato de desespero. Perdi a razão, não aceitei aquilo. Era muita dor, muita tristeza. Falei para o cara: Meu filho morreu, você vai ficar gritando ‘e daí?”’

União
Senadores fizeram falas emocionadas após a fala do taxista. Humberto Costa (PT-PE) pediu união do grupo majoritário da comissão para que o trabalho final da investigação não se perca em “fogueira de vaidades”. “Os senadores que estão aqui, não têm o direito de por qualquer razão que seja deixar de dar ao Brasil uma resposta, clara, unificada”, disse Costa.

Sem citar as divergências entre os senadores por pontos do relatório e pelo vazamento de trechos do texto, o relator Renan Calheiros (MDB-AL) disse que as falas foram impactantes e prometeu fazer um relatório que expresse o que houve no Brasil durante a pandemia.

Renan citou ainda uma cobrança de Rosane Maria dos Santos Brandão, ex-mulher de João Alberto dos Santos Pedroso, que morreu em abril deste ano. “Não entrem para a história ombreando com os fascistas e com os canalhas, coloquem um ponto final nesse genocídio”, disse ela.

“Entreguem o relatório final fiel às barbaridades e atrocidades que vocês ouviram aqui. O desprezo pela ciência, a negligência e o descaso”, afirmou Rosane. “E nós queremos contar essa história, porque a gente não elabora o luto no silêncio do esquecimento, nós precisamos falar e nós precisamos ser escutados”, completou ela.
O taxista Silva também criticou ações do governo Bolsonaro na pandemia. Ele relatou que teve raiva e se sentiu mal após ouvir o presidente reagir com um “e daí” a questionamentos sobre a Covid.

“Me gerou muita raiva, muito ódio. Aquilo me fez muito mal”, disse, além de criticar quem chama a CPI da Covid de “circo”. “Eu daria a minha vida para meu filho ter a chance de ser vacinado. Não tinha vacina, não tinha máscara”, afirmou.

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