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Ensino Fundamental II exige mais atenção para evitar reprovação

terça-feira, 19 de março 2024

Levantamento inédito revela que apenas 52% dos estudantes brasileiros, hoje com idades de 19 a 24 anos, conseguiram concluir o Ensino Fundamental no tempo certo. E menos da metade, 41%, finalizaram o Ensino Médio no período adequado. Os dados, que estão na pesquisa “Indicador de Regularidade de Trajetórias Educacionais”, da Fundação Itaú, mostram que quase metade dos jovens nessa faixa etária não concluíram os estudos de forma regular, tendo enfrentado, ao longo do ciclo, ocorrências como abandono, evasão escolar ou reprovação.
O estudo foi realizado em parceria com os pesquisadores Chico Soares, Izabel Costa da Fonseca, Clarissa Guimarães e Maria Teresa Gonzaga Alves. Para a superintendente do Itaú Social, Patricia Mota Guedes, o levantamento traz o retrato da trajetória escolar de crianças e adolescentes nascidos entre 2000 e 2005 em período longo, de 2007 a 2019. “E traz exatamente um problema: somente metade dos estudantes brasileiros, nesse período, concluíram o ensino fundamental na idade certa e com trajetória regular, sem ter passado por repetência, reprovação e abandono escolar”, diz.
Isso significa que quase metade deles chegou ao 9º ano do Ensino Fundamental com trajetória irregular. Ainda na avaliação de Patricia Mota Guedes, o indicador expressa a gravidade do problema, de como é necessário monitorar mais e melhor a qualidade da permanência das crianças e dos adolescentes já no Ensino Fundamental. “Mostra também um retrato das desigualdades, de como essa experiência de repetência, reprovação e abandono marca ainda mais determinados grupos sociais.”
De acordo com o estudo, a trajetória regular entre estudantes negros (pretos e pardos) é cerca de 20% menor do que entre os brancos. Em relação aos indígenas, esse percentual fica em torno de 40%. Os dados mostram que estudantes brancos possuem percentual de regularidade de 62%; pardos, 46%; pretos, 41%; e indígenas, 23%.
A pesquisa indica a urgência de o Brasil começar a construir políticas e programas mais voltados para o Ensino Fundamental, em que a repetência, reprovação e o abandono começam a explodir. “São os anos finais do Fundamental, do 6º ao 9º ano. O estudo reforça a necessidade de a gente realmente começar a desenhar políticas e programas historicamente, do sexto ao nono ano, o antigo ginásio, o que a gente chama de anos finais do Fundamental, porque são uma etapa esquecida pelas políticas e programas federal, estaduais e municipais”, afirma a superintendente do Itaú Social.
Ela avalia que essa é uma etapa decisiva porque marca justamente o início da adolescência, na qual as crianças, aos 11, 12 anos, começam a entrar em uma fase em que vivem muitas transformações, muitas mudanças físicas, emocionais, até do ponto de vista social, da convivência. “E tudo isso muito misturado também porque, no Brasil, na maioria dos casos, quando a criança vai do quinto para o sexto ano, passa a ter mais professores, um currículo mais complexo. Os professores são especialistas que também não recebem uma formação para trabalhar com esses estudantes que estão no começo da adolescência e que transitam entre infância e adolescência.”
A pesquisa confirma o que já se imaginava: que os grupos de raça, como os negros, estão sempre em desvantagem em relação aos brancos. Já as meninas, em geral, estudam mais que os meninos; e que há desigualdades regionais.
Os estudantes com nível socioeconômico mais alto apresentam trajetória escolar bem melhor do que os mais vulneráveis. Enquanto 69% dos alunos do primeiro grupo apresentam trajetórias regulares, somente 38% daqueles de escolas mais carentes conseguiram iniciar e finalizar o Ensino Fundamental na idade correta. (Com Agência Brasil)

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