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Número de moradores próximo ao litoral diminui, mas segue sendo maioria

sexta-feira, 22 de março 2024

Mais da metade da população brasileira (203,1 milhões de pessoas) mora em uma faixa de 150 km a partir do litoral. Já nas fronteiras do Brasil, o número, embora tenha crescido, representa 4,6% dos habitantes, segundo o Censo Demográfico 2022. Os dados de setores censitários foram publicados nessa quinta-feira (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essas unidades territoriais agrupam domicílios em local, urbano ou rural, que será mapeado pelos recenseadores.
Foi dessa forma que o IBGE calculou as quantidades da população morando a até 150 km do litoral ou da fronteira, sobrando, assim, o contingente populacional do interior. Comparados aos resultados do Censo 2010, os números continuaram praticamente os mesmos, com queda de 1% na quantidade de moradores no litoral, apesar do aumento de 5 milhões de habitantes verificado em 2022, que chegou a 111.277.361 pessoas.
Já a porção moradora nas fronteiras (9.416.714 habitantes) continua com 4,6% da população, e todo o contingente entre as duas faixas, no interior, soma 83.157.078 pessoas (41%). Mas o crescimento da população, maior no Centro-Oeste do país do que a média nacional, significa que a população pode estar se interiorizando. Esse movimento não vai superar o contingente do Sudeste, mas pode até passar o Sul em algumas décadas.
É o que disse o demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, pesquisador aposentado do IBGE. Para ele, a causa é a atração econômica do agronegócio e o peso do setor primário nas exportações do país. “Esse peso está no Centro-Oeste. Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Esse movimento é acompanhado pelo crescimento da população, que vai para onde há emprego e renda.”
Desde a colonização, o Brasil passou por diferentes momentos de ocupação do interior do território, que começou espalhada pelo litoral. Entre as corridas por borracha, as marchas para o oeste do país e a construção de Brasília, os diferentes governos do país foram ao interior sob o pretexto de ocupar para proteger e integrar o país. Ainda, a ditadura militar pretendeu conquistar a Amazônia patrocinando a construção de estradas como a Transamazônica (BR-230) e a BR-163 (Cuiabá-Santarém).
Com a perda do peso da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) do país, segundo Eustáquio, o país consolidou o movimento de reprimarização da economia. “O setor que mais cresce, exporta e gera divisas não é a indústria, concentrada em São Paulo.”
Segundo o professor do Instituto de Geografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Vitor de Pieri, as alterações na economia também explicam mudanças nos fluxos de migração nas grandes capitais. “Há um movimento de pessoas saindo de cidades como Rio de Janeiro, Belo Horizonte, migrando para o centro do país.” Junto com emprego, Pieri também aponta uma busca por mais qualidade de vida em regiões do interior.

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