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Nacional

Pressão no Ministério da Saúde: Vacinas da dengue começam a vencer em abril

sexta-feira, 22 de março 2024

Os lotes da vacina da dengue distribuídos pelo Ministério da Saúde começam a vencer a partir do dia 30 de abril. A informação foi dada pela secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente, Ethel Maciel, durante entrevista a jornalistas na quarta-feira (20). Mais lotes expiram em maio e junho.

Os imunizantes com vencimento mais próximo fazem parte dos fornecidos sem custo pela Takeda, fabricante da QDenga, que totalizam 1,3 milhão de doses. O Ministério da Saúde não informou quantos lotes estão próximos do vencimento até a publicação desta reportagem.

A farmacêutica diz que a validade próxima se deve ao fato de que a vacina é produzida na Alemanha e a importação e os trâmites de desembaraços duram cerca de três a quatro meses. Em nota, a Takeda informou que nesse caso, em especial, as doses foram entregues com prazo de validade inferior.

O vencimento próximo associado à baixa procura pela vacina pressiona o Ministério a criar estratégias para que as vacinas não sejam perdidas. Segundo a Saúde, até essa terça-feira (19), apenas 451.412 dos imunizantes tinham sido aplicados, o que corresponde a 14,5% do público-alvo (crianças e adolescentes de 10 a 14 anos) dos 521 municípios escolhidos para a administração das doses na primeira etapa da campanha.

Para amenizar o problema, o Ministério recomendou, no início deste mês, a ampliação da faixa etária para a vacinação. Inicialmente, a recomendação era a de que a vacina fosse aplicada em pessoas de 10 a 11 anos de idade.
Além disso, a Saúde decidiu aumentar a quantidade de municípios que receberão as doses. Para isso, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) terão que recolher as doses ainda não aplicadas e redistribuí-las aos municípios que não estavam contemplados na lista dos que receberiam as vacinas.

No entanto, a lista de novas cidades ainda não foi divulgada, assim como detalhes sobre a logística de redistribuição das vacinas. Apesar da alta dos casos, a baixa procura pelas vacinas pode ser explicada pela percepção pública de que a dengue é uma doença de baixo risco e pelo crescimento no movimento antivacinação, segundo o imunologista Alexandre Naime Barbosa, coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia. “A população não entendeu que a dengue é uma doença grave que pode levar à morte, principalmente nessa faixa etária contemplada pela vacina [crianças de 10 a 14 anos]. Além disso, tem a hesitação vacinal após o movimento de vacina contra a Covid e as fake news espalhadas”, diz.

O Ministério informou que adquiriu todo estoque disponível de vacinas contra a dengue em 2024 e 2025 e que ainda receberá 5,2 milhões de doses, que, somadas às doadas, permitirão a vacinação de 3,2 milhões de pessoas com as duas doses que completam o esquema vacinal. Pressionada pelo rápido crescimento da epidemia e questionada por prefeitos pelo ritmo na liberação de recursos para ações de erradicação do mosquito, a Saúde tem divulgado dados inconsistentes sobre a letalidade da dengue em 2024, além de inflar anúncio de repasses a estados e municípios contra emergências sanitárias.

O Ministério diz que a letalidade da doença neste ano é menor do que em 2023, mas usa informações que ainda não estão consolidadas para a comparação, o que para especialistas seria um erro, tendo em vista que mais da metade dos óbitos estão em investigação. O Brasil ultrapassa os 2 milhões de casos prováveis de dengue e chega a 682 mortes pela doença neste ano, segundo dados do painel de arboviroses, nessa quinta-feira (21).

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