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Nacional

Rivaldo arquitetou com irmãos Brazão plano de matar Marielle

segunda-feira, 25 de março 2024

O assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol/RJ) foi idealizado pelos irmãos Domingos Brazão (conselheiro do Tribunal de Contas do Estado – TCE) e Chiquinho Brazão (deputado federal – União/RJ) e “meticulosamente planejado” pelo delegado Rivaldo Barbosa, diz trecho de decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O ministro determinou a prisão dos suspeitos e tirou o sigilo de informações sobre o caso, inclusive do relatório da Polícia Federal (PF).
De acordo com o Moraes, é justificada a qualificação de Rivaldo como autor do crime porque, apesar de não ter idealizado o crime, ele “foi o responsável por ter o controle do domínio final do fato, ao ter total ingerência sobre as mazelas inerentes à marcha da execução, sobretudo, com a imposição de condições e exigências”. O ministro afirma que Rivaldo, então diretor da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, aderiu ao crime antes mesmo dos executores Edmilson Macalé e Ronnie Lessa, sendo um dos arquitetos, na companhia dos irmãos Brazão, do crime. Ele chegou a fazer a exigência, que seria repassada aos executores, de que a morte não poderia se originar da Câmara dos Vereadores.
Para Moraes, a investigação dos homicídios de Marielle Franco e de Anderson Gomes foi, antes mesmo da prática do crime, talhada para ser natimorta, justamente pelo ajuste prévio dos autores com o então responsável pela apuração de homicídios no Rio de Janeiro. “Coincidência, ou não, o crime fora executado um dia após à posse de Rivaldo Barbosa na função de Chefe de Polícia”, cita trecho da decisão.
Ainda de acordo com os documentos, houve promessa de recompensa idealizada pelos irmãos Brazão e aceita pelos suspeitos de serem executores do crime, Macalé e Lessa, de implementação e comando “de um grupo paramilitar em uma grande extensão de terras vinculada à Família Brazão, nas adjacências da Estrada Comandante Luís Souto, no bairro da Praça Seca [zona oeste do município do Rio]”.
Foram dois serviços contratados pelos irmãos. Um deles foi o assassinato em si, praticado pelo então policial militar Ronnie Lessa. O outro foi uma garantia de impunidade por meio da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, comandada por Rivaldo Barbosa.
A PF investigará a nomeação do delegado Rivaldo Barbosa, que tomou posse como chefe da Polícia Civil do Rio no dia 13 de março de 2018, ou seja, um dia antes dos assassinatos. A escolha foi anunciada pelo secretário de Segurança Pública do Rio na época, general Richard Fernandez Nunes. Naquele momento, o Rio passava por intervenção federal, decretada pelo então presidente Michel Temer, no dia 16 de fevereiro. O interventor nomeado foi o general Braga Netto, que depois virou ministro de Jair Bolsonaro (PL) e também vice do ex-presidente na campanha à reeleição em 2022.
A PF quer saber se a escolha foi a pedido de alguém e se havia conhecimento de algo sobre o crime de Marielle por parte de quem indicou o delegado para o posto.

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