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Opinião

quarta-feira, 01 de maio 2024

Uma nova coluna…
Inicio hoje um novo desafio profissional. Assinar uma coluna diária não é uma das tarefas mais fáceis, pela experiência que tenho nesta ‘seara’ da comunicação. Fazer jornalismo que trata sobre a sociedade cearense, é uma paixão que me acompanha há exatos 21 anos.

Em 2003 comecei a fazer trabalhos freelancer como fotógrafo, aqui para O Estado. Em 2004 fui efetivado, fazendo coberturas para o caderno social Linha Azul, que era editado pela Dra. Wanda Palhano, também presidente desse tradicional periódico do nosso Ceará, fundado em 1936 por José Martins, portanto, com 87 anos de caminhada.

Com o fim do caderno Linha Azul, em agosto de 2019, aconteceu também o fim da minha temporada como colaborador do jornal. Em março de 2020, passei a trabalhar com o jornalista Flávio Torres, escrevendo diariamente com ele sua coluna. Estávamos no período da pandemia, e tivemos que nos reinventar para fazer esse tipo de jornalismo, já que as pessoas estavam em casa, sem eventos, sem movimentação social.

Essa temporada com o Mr. Torres – como ele era conhecido – durou até o dia 13 de março de 2023, quando ele, acometido por problemas de saúde, teve de ser hospitalizado. Hoje – 1o de maio de 2024, Dia do Trabalho, marcado por grande simbolismo e significado histórico – um ano e dois meses depois, um novo capítulo da minha história com o jornal O Estado começa.

É chegado um novo ciclo: o fotógrafo vira colunista, a fotografia me apresentou o “grand monde” de Fortaleza e, por essa razão, escolhi estudar a elite cearense / fortalezense vista sob a ótica das colunas sociais. Já são oito anos pesquisando sobre o tema coluna social e toda contribuição que esse material jornalístico tem dado à historiografia do Brasil e do mundo.

Nos EUA, nomes como Walter Winchell, Elza Maxwell – reza a lenda que ela matou sua mãe 12 vezes para arrecadar fundos com os mais abonados – e Maury Paul foram pioneiros.
No Brasil, ainda na virada do século XIX para o XX, tivemos nosso primeiro colunista social, que surgiu num contexto de transformação da cidade do Rio de Janeiro, que deixava de ser conhecida como “porto sujo”, e ganhava uma nova cara “civilizada”, urbanizada, com cafés, teatros, o francês e a “belle époque” no auge. Com todo esse cenário, era necessário um profissional que registrasse esse “vaivém” cultural e social, assim, o escritor Figueiredo Pimentel, passa a assinar, de 1907 a 1914, a coluna Binóculo, no jornal Gazeta de Notícias.

Depois dele, só na década de 40, surgiu outro colunista que ganhou fama. Era Maneco Muller, ou Jacinto de Thormes, pseudônimo com o qual ele assinava suas colunas. Outros nomes com grande capilaridade apareceram: Ibrahim Sued, Zózimo Barrozo do Amaral (no Rio de Janeiro) e Tavares de Miranda (em São Paulo).

Nos anos 50, o Brasil vivia seus “anos dourados”, e as colunas sociais se ampliaram e saíram do circuito RJ-SP. Jovens “do Oiapoque ao Chuí” passaram a escrever colunas em seus respectivos estados, como aqui no Ceará. São muitos nomes; Geraldo Silveira (Robert de Singerie), Judith Sendy, Maura Barbosa e Lúcio Brasileiro, em atividade até hoje.

Desde 1955, LB escreve uma coluna diariamente, o que o torna colunista com mais tempo de “batente”. Tem uma exímia memória e é guardião de muitas histórias, sendo uma excelente fonte para quem pesquisa a história cearense. Por essa razão ele foi o tema de estudo da minha monografia e do meu mestrado.

Agora doutorando no Programa de Pós-Graduação em Sociologia na UFC, desenvolvo pesquisa com o tema “Ver e se fazer visto: o uso da fotografia nas colunas sociais como construtor do capital social. Pensando a alta sociedade cearense”, tenho como orientadora a professora Alba Maria Pinho de Carvalho. Na pesquisa, meu objetivo é tentar captar a percepção de Pierre Bourdieu: a quantidade de “capital social” em determinada pessoa vai depender de sua rede de contatos, que são transformadas – consciente ou inconscientemente – em relações necessárias. Lembro que cada agente de um determinado grupo social é responsável, guardião desse grupo. Ele conhece e respeita seus limites.

Em suma, o “capital social”, para existir e sobreviver, precisa de uma sociabilidade do indivíduo para, dessa forma, ter reconhecimento perante o grupo social e as instituições, que vão legitimar as trocas e gerar lugares, ocasiões e práticas. As fotografias utilizadas nas colunas sociais têm influência nesse processo.

Nosso mote principal é fazer uma coluna – jornalismo – com ética e seriedade, munida de outros pilares como precisão, verdade e muita responsabilidade, afinal, estaremos tratando da vida de pessoas, o que requer de nós respeito e empatia.

Agradeço a oportunidade da diretoria do jornal O Estado em acreditar no meu potencial, na construção de um espaço que vai privilegiar os leitores, afinal, cada palavra escrita, cada frase construída, será para nosso público leitor.

Obrigado e amanhã começamos com as notícias.

“Na ciência, como na vida, só se acha o que se procura”
Evans Pritchard

POR IRATUÃ FREITAS

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