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Opinião

A filosofia do Avestruz

sexta-feira, 19 de abril 2024

O Estado não pode prescindir de uma boa organização policial, cujos integrantes devam ser selecionados com rigor, preparados cuidadosamente, pagos à altura dos riscos e das responsabilidades que têm e controlados por órgãos sociais não corporativos como hoje acontece. A despeito de a polícia ser uma instituição quase tão antiga quanto à humanidade, várias autoridades públicas, alguns homens letrados e a população de modo geral identificam a atividade policial com um indivíduo fardado e/ou com uma arma na mão, pronto para o “combate ao bandido”. Há de se perguntar: se a pessoa humana é, de fato, um ser pensante deveria a segurança pública dar preferência ao uniforme e ao ‘dedo no gatilho’ com os evidentes prejuízos individuais, morais e materiais daí advindos, ou seria mais consentâneo com o decantado progresso da humanidade investir na cabeça do policial para que ele seja visto como um bem social? É claro que, aos espertos, isto não renderá dividendos políticos e econômicos como atualmente ocorre, mas, certamente, seria ótimo para a sociedade.
Já é tempo de a polícia ser discutida e analisada, sob todos os ângulos, pelos diferentes segmentos sociais. E, mais do que isso, ser objeto de pesquisa das Universidades na medida em que se constitui num rico laboratório para um estudo sociológico das mazelas que acometem a sociedade de nossos dias. Não deve, dessa forma, ser apenas matéria de curiosidade e de críticas, após as falhas – muitas das quais funestas – que poderiam ter sido evitadas se governantes e comunidades organizadas e esclarecidas assim o quisessem. Não é por outro motivo que temos hoje esta triste realidade: uma criança de oito anos consegue identificar, pelo nome estrangeiro, de trinta a sessenta heróis de televisão não sabendo, no entanto, muitas vezes, o nome do prefeito de sua cidade ou do vereador que deveria se preocupar com o ‘esgoto a céu aberto’ que passa na frente de sua casa, espalhando doença. Essa, infelizmente, é uma dura constatação que vai, não raro, dar de cara com o problema policial ou, no mínimo, com ele ter implicações. Impõe-se, por conseguinte, uma tomada de consciência de todos sobre o verdadeiro papel da instituição policial na sociedade contemporânea, sem a qual não será possível vencer a fantasia e o preconceito, permanecendo-se a cultivar a ‘filosofia do avestruz’.

IRAPUAN D. DE AGUIAR
ADVOGADO E PRESIDENTE
DO CONSELHO DELIBERATIVO DA ABO/CE

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