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Opinião

A porno-salada e as crianças-sentimento

sexta-feira, 18 de julho 2008

A sociedade brasileira tem sido bombardeada com doses maciças de erotismo e futilidade pelos meios de comunicação de massa. Banalidades em programas “realísticos” – os denominados “reality shows” -, são lançadas nos lares, com grande sensacionalismo, provocando a mobilização de parte significativa da população em torno da convivência de jovens isolados numa casa, tratando de assuntos pueris e nada edificantes. Após o encerramento do “jogo”, naturalmente, as moças são convidadas para posar em revistas masculinas e os rapazes viram subcelebridades em programas de auditório. É a coroação da via fácil ao “estrelato”, vendido como o circo à plebe, incentivada ao gosto da lascívia secreta, provocada pela indiscrição e bisbilhotice.

Mas há manifestações mais explícitas de erotização pela vulgaridade: o apelo à banalização do sexo com a aparição de pessoas com apelidos de vegetais, para ressaltar alguma característica física do seu corpo ou comportamento. Nesta nova vertente surgiram personagens batizados com os sugestivos nomes de “homem-berinjela”, “mulher-melancia”, “garota-melancia”, “mulher-samambaia”, “mulher-mamão”, “garota-moranguinho”, entre outras denominações. É a porno-salada brasileira, ao gosto das revistas e dos programas televisivos que apostam no marketing da semipornografia para obter audiência e lucro.

Longe de qualquer moralismo, o que não se pode perder é a consciência crítica sobre nosso comportamento, como seres humanos em busca da realização plena. Talvez os valores realmente importantes, que terão a capacidade de nos trazer paz de espírito e felicidade não possam ser encontrados neste self-service sexual, virtual ou real. É possível que esta sexualização massificada seja mais uma forma cruel de alienação da população.

Como a mente humana não tem limites, imaginei se a estratégia de apelidar as pessoas com nomes de vegetais, para vendê-las como produtos eróticos, não poderia ser apropriada para fins mais interessantes, do ponto de vista humanístico. Poderíamos trocar as leguminosas por sentimentos e criar figuras reais, que não alcançam nem mesmo a passageira celebridade dos seres-produto-do-sexo. Com esta adaptação poderíamos encontrar o menino-solidão, abandonado nas instituições de nossa cidade. O menino-solidão mora com outros milhares de meninos e meninas-solidão. Tudo que ele quer é encontrar um pai-abraço ou uma mãe-afeto, para ser criado com o cuidado que lhe seja especialmente dirigido, para que possa se transformar num adulto-amor.

Para que esse sonho do menino-solidão possa se concretizar, ele precisa da ajuda de alguns heróis: os poderes transformadores do promotor-dedicação, determinado em não deixar nenhum criança sem família, podem fazer total diferença na vida deste menino. Além disso, o juiz-coragem, que não se detém diante da demagogia e das dificuldades, responsável pelo destino do menino, opta pela solução de mais amor. Neste exercício de imaginação, estes heróis não vivem encastelados em gabinetes, mas são presentes nos abrigos para tratar da realidade que ali existe, diretamente.

Na vida real, conheço alguns heróis assim. Se todos os que têm a mesma missão tivessem seu comportamento vigoroso e independente, ao invés de termos uma justiça-lentidão-injusta, pudéssemos comemorar uma justiça-garantia-efetiva-de-direitos para todas as crianças-sentimento. Viva a esperança!

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