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Opinião

A rentabilidade do medo

segunda-feira, 19 de fevereiro 2024

Seria tragicômico falar de filosofia para um povo de barriga vazia. Mas há ocasiões em que as parábolas são oportunas. A propósito, se todos os economistas capazes e honestos reconhecem que os grandes empresários sempre ganham com a inflação (causa do sofrimento e da miséria da maioria), parece lógico que o Estado brasileiro, com instituições ainda não tão sólidas, algumas das quais desacreditadas, esteja impossibilitado de realizar a contento suas finalidades jurídicas e sociais, transformando-se num vilão dócil e, portanto, manipulável pelos donos do capital. A dedução é fácil: se o processo inflacionário fosse um mal que atingisse os poderosos, a cura já teria aparecido, sem discursos adornados, jantares interesseiros, canonização e excomunhão de ministros que se sucedem, os quais, em regra, apenas enriquecem seus currículos, valorizam seus pareceres e suas palestras. E, ainda, ao deixar o governo, costumam dar entrevistas contra a miséria e lições para melhorar o país, com argumentos em defesa da moral e da ética. O ser humano “esquece” que intelecto e moral deveriam caminhar juntos.
A crua realidade é que há pais e filhos abandonados. Esquecem-se os parâmetros da vida: doença, ignorância e medo rendem dividendos aos mais espertos. A fraternidade escasseia e a pressão aumenta. Sem prevenção, adeus segurança! É hora de repetir o apóstolo São Paulo: “Se eu falar todas as línguas; se eu tiver o dom da profecia, conhecer os mistérios e tudo quanto se puder saber; se tiver toda a fé, ao ponto de transpor montanhas e entregar meu corpo para ser queimado, nada sou e nada disto me aproveita, se eu não tiver caridade”. Dizer-se cristão à luz do flash é o bastante? Parafraseando, por analogia, o apóstolo Paulo, afirmo: se forem modificadas todas as leis, adquiridas todas as armas e munições, adquiridos todos os veículos, construídos todos os quartéis, delegacias, fóruns e prisões; se forem instalados todos os aparelhos de comunicação e aperfeiçoados todos os métodos estatísticos; se forem trocados os uniformes policiais e travestidos os homens de super-heróis; tudo será em vão, se não houver predisposição em expor à luz os grandes grupos (econômicos, políticos, corporativos, industriais, de comunicação de massa, etc.) que estão lucrando com a ignorância, a doença, a miséria, a violência, o crime e o medo da população, silenciando sobre a prevenção possível, no aguardo da repressão rentável. Ao invés de se investir na prevenção, e até realizar concursos e estabelecer prêmios e propostas preventivas contra o crime, deixa-se que os fatos aconteçam e, em seguida, vêm os contratos, os cargos criados, as armas, as munições, os veículos, os aparelhos técnicos e suas instalações, isso completando-se com novas delegacias, novos quartéis, novas varas criminais, novas penitenciárias e muitas inaugurações alvissareiras, tudo bem organizado pelo marketing, rendendo dividendos políticos, mas em prejuízo da sociedade, que é usada como cobaia ou inocente útil.
Péssima estratégia é cozinhar em panela de pressão sem válvula!

IRAPUAN D. DE AGUIAR
ADVOGADO E PRESIDENTE
DO CONSELHO DELIBERATIVO DA ABO/CE

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