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Opinião

Antônio Conselheiro não morreu

quinta-feira, 21 de agosto 2008

De acordo com os livros, Antônio Conselheiro foi morto com seus seguidores pelas tropas do exército no arraial de Canudos, na Bahia, em 1897. Euclides da Cunha estava lá e deixou o massacre documentado em Os Sertões.

Contudo, tenho razões para acreditar que Conselheiro tenha ou escapado ileso ou deixado um herdeiro em Pernambuco, por onde passou em uma de suas andanças.
Em março deste ano, um certo líder foi visto em uma favela do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, lançando obras de um certo programa federal. Na ocasião, declarou que Deus o aconselhou (não se sabe se em pessoa ou espírito) a atrasar o início das obras para que os infiéis não o tomassem como um outro aproveitador qualquer. Ele falou de seu assessor nesses termos: “Deus é tão justo e tão grande que abriu minha consciência para começar esta obra do PAC exatamente no momento em que eu não disputo mais eleições no Brasil, porque o mandato termina em 2010”. Não só justo e grande, mas também desprendido: Deus permitiu que o líder assumisse sua própria personalidade durante um comício para trabalhadores de Goiânia, em 2006: “Cada um de vocês é uma célula do meu corpo, uma gota do meu sangue”.
 

Na semana passada, Deus guiou nosso Antônio para que ele levasse boas novas aos súditos: descobriram mais uma reserva de petróleo. Já que “Deus não nos deu isso para que continuemos fazendo burrice, Deus deu mais uma chance para o Brasil”, Lula declarou ao país que essa riqueza deve ser administrada por uma empresa do governo, já que petróleo não é um produto a ser deixado nas mãos de empresários malvados e gananciosos, e sim um instrumento para a redenção dos pobres: “ Não podemos abrir mão do patrimônio da União. É preciso mexer na lei do petróleo para fazer a reparação aos pobres desse país. O povo precisa decidir o destino do petróleo. O petróleo brasileiro não pode ficar na mão de meia dúzia de empresas. Ele é do povo brasileiro”. Graças ao nosso líder, ficamos sabendo que Deus é entusiasta do monopólio estatal disfarçado de ajuda aos pobres.
 

E ontem, em território cearense, Lula Conselheiro fez questão de comunicar que conta com o melhor cabo eleitoral imaginável: se disse “abençoado” pelo prestativo assessor.

Pensando bem, talvez essa proximidade com o cara lá de cima explique alguns fenômenos sem precedentes na história deste país relacionados ao nosso salvador, como sua perda temporária de visão e audição durante os escândalos de corrupção ou a transformação de seu filho, antigo monitor de zoológico, em afortunado empresário das telecomunicações. Talvez explique também a raiva que nosso presidente tem da imprensa livre: quem tem Deus como vice-presidente não pode aceitar críticas de qualquer mortal. www.brunopontes.blogspot.com

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