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Opinião

As mobilizações populares do passado e da atualidade

quarta-feira, 20 de março 2024

No próximo dia 6 de abril passará a valer o calendário definido para o processo eleitoral deste ano, quando estarão sendo escolhidos os novos dirigentes das 5.570 cidades brasileiras, além de integrantes das respectivas Câmaras Vereadores, em disputa que deverá somar um gigantesco número de postulantes. Com o cronograma estabelecido, os partidos começarão se articular para as escolhas dos pleiteantes, que deverão ser oficializados em convenções municipais e, logo após, procedendo-se o registro nos Tribunais Regionais Eleitorais. Com tudo oficializado iniciar-se-ão as mobilizações de candidatos junto à massa votante, o que deverá ser conduzido de maneira ostensiva, tendo em vista ser cada vez maior a quantidade de concorrentes a pleitos dessa envergadura. Mesmo com as mudanças nos modos de fazer campanhas, impostas por um mundo cada vez mais entregue às tecnologias, os comícios ainda são o meio mais explicito de o candidato apresentar suas ideias ao eleitor, embora o mesmo participe de tal mobilização apenas como ouvinte, não entanto, servindo também para que os institutos façam melhor análises sobre o grau de aceitação do candidato.
Os grandes comícios são eventos que se tornaram tradição de campanhas políticas no Brasil, em décadas já recuadas, naqueles tempos, representando o principal instrumento de interação entre os pretendentes e os eleitores, talvez, nos transformando numa das nações mais experimentadas em termos de tais mobilizações. Para quem, como este articulista, exerceu mandato no Parlamento nacional, até há pouco tempo, a experiência de subir em palanques, em uma, duas e até três comunas por dia, não soaria nada estranho, já que participei de quase duas dezenas de campanhas, quer como candidato, além de emprestar apoio a filhos e correligionários. É claro que o político que enfrenta várias batalhas acumula também uma lista de encontros, reuniões, e passeatas, dentre estas, existindo aquelas que se tornaram mais marcantes, mormente por detalhes peculiares que diferenciam cada mobilização da outra. Registre-se que foi durante um comício, em pequena cidade de Goiás, que o ex-presidente JUSCELINO KUBITSCHECK foi interpelado por um integrante da plateia sobre a promessa da construção de uma nova capital para o Brasil, com o futuro mandatário respondendo positivamente, e Brasília hoje dispensa qualquer comentário. Conhecidos logradouros de nossas capitais são hoje lembrados por haverem sido palcos de memoráveis concentrações, que influenciaram nos rumos dos destinos nacionais, a exemplo do Comício da Central do Brasil, o último liderado por JOÃO GOULART, já que depois o então chefe de nossa Nação seria destituído. Historicamente, nenhuma outra mobilização se compara ao grande Comício do Vale do Anhangabaú, em São Paulo, reunindo cerca de 1 milhão e 500 mil pessoas, todas pugnando pela volta de eleições livres (“Diretas Já”), que mesmo não sendo aprovadas para 1985, como foram propostas, ensejaram a união das forças políticas do País, o que levaria à convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, e consequentemente nossa reconquista do nosso Estado Democrático de Direito.

MAURO BENEVIDES
JORNALISTA E
SENADOR-CONSTITUINTE

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