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terça-feira, 30 de novembro de 2021.
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Opinião

Bicentenário do nascimento de Anita Garibaldi

Como cearense encho-me de coragem e de conhecimento adquirido através das “Anitas – Grupo Classificadas do Concurso” – AJEB-SC (2021), criado com trativativa ao bicentenário do nascimento de Anita Garibaldi, trouxe-me muitos e muitos ensinamentos sobre a Anita e o Giuseppe que, lúdicamente, foi aprendendo sobre vida deles. Um casal a frente do seu tempo, viveu em guerras e um amor intenso. E desafiei-me a escrever um texto na certeza de uma ampla divulgação, da história da união de uma brasileira com um italiano que, juntos, contribuíram na transformação política de três mundos: Brasil, Uruguai e Itália.

O italiano aportou no Rio de Janeiro, trazendo na bagagem experiência de lutas em mares e em terras da Itália. Depois seguiu para Laguna e a sua embarcação encalhou em suas águas cristalinas. Com a luneta nas mãos, o naufragado Giuseppe Garibaldi, ficou a observar as andanças dos nativos no lugar em que ele veio contribuir, como guerrilheiro, ao lado da Revolução Farroupilha.

Na vigília do barco, o foco da sua luneta alcançou um grupo de belas mulheres a caminhar nas areias do litoral catarinense, cada uma trazia a sua moringa como se estivessem indo buscar água para o consumo. Uma delas despertou-lhe interesse no momento em que o vento acariciou os longos cabelos dela e mostrou o corpo escultural. Diante do que foi visto, o coração bateu acelerado no peito daquele homem valente. A “Bella Ragazza” fincou morada dentro do seu pensamento. No sopro da emoção, sem temer o perigo, ele remou nas águas que o fez encalhar, enquanto procurava pela jovem que lhe despertou o amor, um sentimento ora adormecido!
Com o corpo molhado do próprio suor, misturado com as águas bravas do mar, ele navegou nas ondas rebeldes que insistiam em não serem dominadas, porém, com determinação, seguiu adiante e desembarcou em solo firme. Ele ancorou o barco e após, começou a andar pela cidade em direção à casa do amigo Antonio, para obter informações sobre aquela moça que abalara profundamente as suas emocões.

Estava decidido, esperançoso, e cauteloso, pois não seria adequado ser visto perambulando pela cidade. Seguiu em silencio rumo a casa do amigo Farroupilha. Ao chegar na residência do Antonio, ele foi recebido pelo próprio dono casa e logo avistou a musa que a luneta captou, na sala de estar. De imediato o amigo lhe apresentou Aninha, a sua sobrinha, que por sinal já o tinha visto na igreja no domingo. Aninha diminutivo de Ana em português e em italiano Anita.

Giuseppe Garibaldi conquistador, estrategista, vencedor de muitas batalhas, estava diante de um grande desafio, o de conquistar a dona do seu coração. Naquele instante suas vidas foram unidas nas pupilas de Aninha e Garibaldi. Ao despedir-se da família, ele aproximou-se de Aninha, a chamou de Anita e profetizou sussurrando em seu ouvido: “Tu deves ser minha!” – E foi!

Aninha deixou para trás uma vida monótona e sem sonhos ao seguir com Garibaldi em batalhas na região sul da América do Sul. Eles se casaram em terra uruguaiana, a mulher guerreira passou a assinar Anita Garibaldi, tornando-se conhecida e admirada em vários continentes. O casal Garibaldi teve filhos, no Brasil, no Uruguai e na Itália.

Onde teria nascido a nossa heroína? Seria em Lages, Morrinhos, Tubarão, Lagunas dos Patos… O mais importante é saber que ela nasceu em uma região de Santa Catarina, no Brasil. O seu nome de batismo: Ana Maria de Jesus Ribeiro. Por amor ou pela causa política, ela acompanhou o homem que a incendiou de paixão, lutou bravamente ao lado do amado Garibaldi até o seu último suspiro. Anita morreu em Revena, na Itália, nos braços do seu Giuseppe. Os seus restos mortais foram enterrados sete vezes e, finalmente, se descansou em Roma, embaixo do monumento feito em sua homenagem.

Giuseppe Garibaldi, casou-se mais duas vezes, também, foi eleito para o parlamento italiano. Ele faleceu aos 74 anos, em casinha, na ilha de Caprera (Itália) e, nesta mesma ilha, o seu corpo foi enterrado.

Anita foi reconhecida por Bento Mussolini em 1931, recebendo depois vários títulos que a imortalizou e entre muitos o de: “Heroína dos Dois Mundos” e ele, Giuseppe Garibaldi “Herói dos Dois Mundos”, ou seja, contando com o Uruguai “… dos Três Mundos”. Eles nos deixaram um importante legado: “jamais desistir dos nossos ideais”.
“Não tenha medo de viver, de correr atrás dos sonhos. Tenha medo de ficar parada. Não quero ser o primeiro, mas o último amor de um homem”.

CÉLIA MARIA LEITE
PSICÓLOGA

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