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quarta-feira, 1 de dezembro de 2021.
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Opinião

Bovarismo de Rui Barbosa

Vocês sabem, toda semana os jornais de São Paulo publicam editoriais lamuriando-se do acelerado processo de desindustrialização do país. Por outro lado, publicam que o tal agronegócio é quem está literalmente salvando a nação da ruína econômica. Isso leva à conclusão de que o país caminha direto para repetir o passado (ele algum dia foi superado?) onde a ‘plantation era o sistema produtivo dominante, naquilo que os historiadores chamam de exclusivo colonial’, umas das importantes formas de acumulação primitiva de capital, que estará na base da Revolução Industrial europeia, assim como na base das fortunas dos comerciantes metropolitanos, entre os séculos XVI e XIX.

No Brasil, pasmem, apesar do forte industrialismo a partir de 30, a elite só se vê como elite se tiver uma boa fazenda, produtiva ou não, pra se ver e ser chamada de produtora rural… todo rico brasileiro (comerciante ou industrial) quer ser um produtor rural!

O resto é achar que o país é mesmo de segunda classe, emulador do liberalismo europeu e americano… menos de suas praças e jardins floridos. Resumindo: a elite e o povão, na verdade, convergem na ideia de que parte do “que é bom para os EUA é bom para o Brasil”. E isso é antigo! E só uma parte: ficam de fora a educação e a ciência e a tecnologia super avançada.

Essa sensação de eterno fiasco (do povo brasileiro) parece exercer um fascínio mórbido sobre a elite brasileira, em especial sobre a elite que comanda o capitalismo de máquinas velhas de São Paulo. Conta-nos R. Faoro: “A descoberta do Brasil entrelaça-se à expansão comercial portuguesa.[…] No seu conjunto, e vista no plano mundial e internacional, a colonização dos trópicos toma o aspecto de uma vasta empresa comercial, mais complexa que a antiga feitoria, mas sempre com o mesmo caráter que ela, destinada a explorar os recursos naturais de um território virgem em proveito do comércio europeu. É este o verdadeiro sentido da colonização tropical, de que o Brasil é uma das resultantes; e ele explicará os elementos fundamentais, tanto no econômico quanto no social, da formação e evolução históricas dos trópicos americanos”.

Continua Faoro: “Não havia lugar para inovações hauridas da terra, inovações, na verdade, tão alheias ao solo como as importadas. No esforço de modernização que cobre o Império e desperta o entusiasmo dos construtores da República, procura-se ajustar o país aos modelos importados, sustentados pelo livro estrangeiro” (bovarismo de Rui Barbosa).
Avante, lutadores!

FERNANDO MAGALHÃES
ASS. TÉC. DA ALECE

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