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Opinião

Campus da UFC, na praia de Iracema, deveria chamar-se Campus Marielle Franco

quinta-feira, 04 de abril 2024

No dia 28 de março o jornal O Povo publicou o artigo “Campus Iracema e o Poço da Draga”, da articulista Claudia S.A. Oliveira.
Segundo Cláudia,[1] Fortaleza deverá receber um novo campus da Universidade Federal do Ceará (UFC), o Campus Iracema, com o objetivo de atender os cursos do Instituto de Ciências do Mar (LABOMAR). Ao mesmo tempo em que celebramos a criação de um novo espaço dedicado à formação e pesquisa, não podemos nos esquecer que o seu futuro local de funcionamento, o Poço da Draga, é um território marcado por tensões e lutas pelo direito de morar e permanecer.
[2] Contudo, o novo Campus não irá abrigar apenas o Labomar. O projeto fará parte de um corredor cultural interligando os bairros Benfica, Centro e Praia de Iracema.
[3] Por sua vez, as pessoas que se encontram nas intermediações do futuro campus fazem parte de uma comunidade centenária da cidade, que resiste unida ao longo do tempo à falta de infraestrutura, ausência do poder público e sucessivas tentativas de remoção. Isso porque o Poço da Draga faz parte de um processo de “enobrecimento” do espaço litorâneo voltado para o turismo.
[4] Infelizmente, sabemos que, por vezes, grandes empreendimentos, mesmo cheios de boas intenções e com o discurso “para todas as pessoas”, quando feitos sem a participação da comunidade local, colaboram e aceleram o processo de gentrificação, acabando por “expulsar” os antigos moradores de baixa renda, por conta da valorização imobiliária, para acomodar os novos usuários gerados pelo empreendimento.
[5] É inquestionável os benefícios educacionais e ambientais de um equipamento como o Labomar. Contudo, se este não vier com um estudo de impacto territorial e social, para minimizar o processo de gentrificação do território do Poço da Draga, a UFC poderá estar colaborando para um processo de remoção completa da comunidade.
Bem, companheiros e companheiras de jornada, se o intrépido reitor da UFC quer mesmo mostrar que é um defensor da justiça social, da diversidade de gênero e raça, do meio ambiente urbano de qualidade, do povo pobre, ele poderia começar lutando para que o novo campus da UFC, na praia de Iracema, venha a se chamar CAMPUS MARIELLE FRANCO. Ninguém no Brasil hoje representa as lutas sociais por direitos e democracia, por justiça, mais que a figura de Marielle Franco, reconhecida internacionalmente como vítima da intolerância e do ódio no país.
Abaixo a tirania e a usurpação dos direitos do povo!
MARIELLE REPRESENTA O POVO DO POÇO DA DRAGA!
Avante!

FERNANDO MAGALHÃES
ASS. TÉC. DA ALECE

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