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Opinião

Como um vereador de Fortaleza alçou-se à Presidência da República

quarta-feira, 03 de julho 2024

Em ano eleitoral, como o que ora estamos vivenciando, merece dos políticos reflexões de natureza lógica e didática, especialmente se levada em conta que a função de vereador torna-se base primordial para a escalada de qualquer outro estágio na vida pública, isso já tendo sido escrito e falado milhares de vezes por comentaristas, estrategistas e, claro, o personagem principal de tal feito: o ocupante da vereança. Não seria tão difícil, em levantamento junto aos atuais integrantes do Congresso Nacional, constatar-se que a maioria deles iniciou a carreira pelas Câmaras Municipais de suas respectivas cidades, quando puderam consolidar grupos mais consistentes de adeptos e simpatizantes, assim, catequizando o voto da massa votante para alçar-se ao ápice do Legislativo brasileiro. Embora esse seja um fato irrefutável, pesquisando a nossa historiografia política, desde o advento da República, é fácil constatar que foram poucos os líderes que despontaram em suas comunas e depois ascenderam a posições mais elevadas, com o essa proeza sendo atingida primeiramente por J NIO QUADROS, que em 1947, advogado e professor já reconhecido, estreou na política como um dos vereadores mais votados à Câmara da capital paulista. Outro trajeto meio complexo é caminho para a ascensão à Presidência do Parlamento Nacional, sobretudo quando em uma eleição por unanimidade de votos, como o foi a deste escriba, tendo em vista que recebi os sufrágios de quase todos os colegas de plenário, o que compele ao escolhido se portar numa linha de maior isenção e parcialidade, além do que já preconizam as respectivas normas procedimentais. Ressalte-se que a minha escolha para o comando do Senado Federal/Congresso acontecera somente nos 1990, portanto, quase 20 anos após assumir o primeiro mandato no Legislativo federal, aonde cheguei em 1975, para compor a bancada senatorial cearense. Desde então, escalonei por diversas funções partidárias, a exemplo da Mesa Diretora; presidente de Comissão; Vice-Líder e Líder, num engajamento que me trouxe vínculo de proximidade com os dirigentes da agremiação a que sou filiado, o MDB, tendo a honra de ser o presidente do Diretório em nosso Estado durante 27 anos. Na eleição da Mesa congressual, em fevereiro de 1991, não havia óbice quanto à minha indicação, em que pese a Câmara dos Deputados e o Senado estarem recém-empossados, com um pequeno impasse apenas em relação ao então Chefe do Executivo, que desejava a escolha de um governista para Presidência da portentosa Comissão de Assuntos Econômicos, quando lá tramitariam propostas de extrema relevância para o seu Plano Governamental. Com a anuência deste colunista, firmara-se um entendimento de alto nível, com a minha eleição à Presidência da Casa transcorrendo sem sobressaltos. A partir de outubro de 1992, assume os destinos nacionais o saudoso ITAMAR FRANCO, que tempos depois tivera de se ausentar do país, a fim de cumprir agenda oficial em Montevidéu, Uruguai, com o presidente da Câmara também em viagem externa, razão pela fui instado a assumir a principal Cadeira de nossa hierarquia política: a titularidade do Palácio do Planalto. Nesse roteiro de lutas incessantes foi que um modesto Vereador de Fortaleza um dia chegou à Presidência da República.

MAURO BENEVIDES
JORNALISTA E
SENADOR-CONSTITUINTE

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