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Opinião

Conscientização social da importância da polícia

sexta-feira, 21 de janeiro 2022

Atelevisão pelo fascínio que exerce e, na atualidade, de maneira mais intensa e envolvente, tem feito a cabeça das pessoas no que tange à destinação e finalidade da Polícia, em regra, pelo avesso. Mais de 70% da produção de filmes para a TV inserida na sua programação versam sobre problemas relacionados a crimes e criminosos neles, evidentemente, também incluídos os policiais, ora combatendo, ora praticando infrações penais, e, apenas em ínfima escala, prevenindo ou evitando os delitos. É que o choque e a curiosidade causados pela criminalidade, bem manipuladas pelos experts, rendem enorme retorno econômico e mesmo político, embora em prejuízo, a curto e médio prazos, para a sociedade anestesiada.

Numa retrospectiva histórica cumpre lembrar os cavaleiros de capa e espada, lutando contra os inimigos do povo; depois os xerifes do velho oeste, enfrentando os bandidos; em seguida, a fase dos detetives, investigando o submundo marginal e os crimes misteriosos; mais tarde, os agentes secretos, com poder de vida e morte, no encalço de quadrilhas internacionais; hoje, até policiais intergalácticos, salvando planetas, etc. e etc.

Em tudo, a fantasia e o faturamento alto. Todo esse sonífero contra o raciocínio, toda essa imagem da polícia do “faz de conta”, atingiu as mentes, tanto do homem comum como das autoridades, e até de algumas pessoas que se julgam entendidas na matéria. Confundem o real com o fantástico, e poucos despertam para uma visão assentada e para a necessidade de aplicação correta da instituição policial. E isso chega a tal ponto que, pelo desconhecimento e, consequentemente, pelo preconceito, governantes, ministros, secretários de Estado ainda se mantêm na crença de que, para diminuir a violência e a criminalidade, bastam arsenais, veículos e aparelhos sofisticados para a segurança da população.

Cabe enfatizar, aqui, a evidência de que somente um policial avesso ao estudo, mal formado, insensível ou desatento para com a missão da Polícia na sociedade, não se choca com os atos praticados por ele próprio ou por seus companheiros. Em regra o exibicionismo e o abuso de autoridade são sintomas que demonstram desequilíbrio para a função policial.

Ponha-se, por exemplo, uma metralhadora na mão de um macaco, e ele fará com que todo o público do ‘Castelão’ em dia de clássico Ceará X Fortaleza, deite no solo, mas, ninguém confiaria sua segurança a esse animal, mesmo que ele estivesse em um carro possante ou em um helicóptero. Logo, o fundamental não são as armas e a parafernália de máquinas, que, a despeito de necessárias, apenas ajudam depois dos fatos acontecidos e com a insegurança pública instalada. Será, sim, a cabeça do policial preparado, conscientizado de sua missão na sociedade, reconhecido por todos os Poderes do Estado e respeitado como peça essencial à aplicação do Direito, pois não há Estado sem Polícia. Sem uma tomada de consciência de todos sobre o verdadeiro papel da instituição policial na sociedade, o círculo vicioso continuará, vale dizer, a Polícia encarada como órgão de repressão e opressão, parecendo conveniente seu status quo, pelo risco da descoberta de sua essencialidade.

IRAPUAN D. DE AGUIAR
ADVOGADO E
PRESIDENTE DA ABO/CE

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