32 C°

.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

aniversario
aniversario

Opinião

Democracia corrompida, constituição vilipendiada

sexta-feira, 22 de março 2024

Na segunda-feira vindoura, 25/03, os brasileiros deveriam comemorar com pompa e circunstância o bicentenário da promulgação da primeira Constituição Politica do Brasil, feito cívico liderado pelo jovem imperador Pedro I, que contava com apenas 25 anos de idade. A crítica destrambelhada de certos historiadores comprometidos com uma releitura enviesada da nossa história, insiste em apedrejar Pedro I por ele ter fechado a Constituinte que convocara no ano anterior. Por desconhecimento ou má fé, não dizem que naquele momento os Andrades, brigados com o imperador em razão de querelas políticas em São Paulo, tumultuavam a Assembleia Constituinte. Afonso Arinos de Melo Franco, citado pelo comunista Leôncio Basbaum (História Sincera da República) afirma que a Constituição outorgada pelo imperador era mais avançada do que a que estava sendo gestada no Parlamento pelos irmãos Andradas (José Bonifácio, Martim Francisco e Antônio Carlos). A Carta brasileira de 1824 recebeu grande influência da Carta espanhola de 1812, a qual, por sua vez, havia recebido os influxos democráticos da Constituição norteamericana. Esquece-se também o fato de que o imperador não jogou o texto elaborado por José Bonifácio na lata do lixo. E não olvidou o concurso do adversário, afastado circunstacialmente, durante a elaboração da Carta Magna. Pedro I constitucionalizou o Brasil quando a Europa ainda via várias nações sendo governadas por reis absolutistas.
Por ilação, importa lembrar que o jovem Pedro I era um homem de extraordinária visão política, um liberal para o seu tempo, que se espelhava na modernidade que Napoleão Bonaparte, de quem era concunhado, havia implantado na França e em vários países por ele conquistado. O caráter político de Pedro I há muito não é visto em personalidades que no Brasil detêm poder e mando. Quando abdicou do trono em 1831, para constitucionlizar também Portugal, o jovem imperador chamou para ser o principal tutor do infante herdeiro, exatamente José Bonifácio, demonstrando espírito de grandeza e, sobretudo, de responsabilidade política com o futuro da nação nascente. Lembre-se, por necessário, que a Constituição de 1834 é até aqui a mais longeva do Brasil. Só finou-se sob o cutelo da violência ditada pelo golpe militar que derrubou o segundo imperador em 1889.
No presente o que vemos é a oitava Constituição brasileira ser vilipendiada sob uma democracia corrompida, na qual os liberticidas pontificam exatamente no Poder que constitucionalmente tem a obrigação de defender a Carta Magna, dita Cidadã, mas que não passa de letra morta diante da sanha iconoclasta de notórios impostores togados. Quase todos silenciam de forma pusilânime diante do vilipêndio ousadamente cometido às claras. As grandes redes de comunicação não silenciam, é verdade. Fazem pior. A tratos de inconfessáveis interesses ou a soldo de grupos econômicos alinhados com a morte da democracia, vivem a disseminar narrativas falaciosas que ludibriam a massa ignara ao chancelar abusos e agressões ao Estado de Direito democrático. Em face dessa situação calamitosa, a rigor, não temos o que comemorar no próximo dia 25, Dia Nacional da Constituição.

BARROS ALVES
JORNALISTA, POETA E ASSESSOR PARLAMENTAR

hoje

Mais lidas

WP Twitter Auto Publish Powered By : XYZScripts.com