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23 julho 2008.
Fortaleza, Ceará, Brasil.

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Opinião

Dendê, uma realidade em conflito

quarta-feira, 23 de julho 2008

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em cada três pessoas que moram em Fortaleza, uma se encontra em favela. A cidade tem cerca de 800 mil pessoas em áreas faveladas, ou seja, um terço da população de mais de dois milhões e meio de habitantes. Esse percentual só é ultrapassado pela realidade de outra capital nordestina, o Recife, onde quase a metade da população vive em favelas. 

Fruto das diferenças sociais e não um problema isolado como muitos podem pensar ainda hoje, as favelas geralmente são escondidas na paisagem urbana e até mesmo no discurso político, como pode ser o caso da Favela do Dendê, situada nas proximidades de uma das principais vias da capital cearense: a Avenida Washington Soares.

Em torno da movimentada avenida existem shopping centers, universidades particulares e lojas caras, mas bem perto de todo esse universo, escondida dos olhos de quem circula diariamente por ali, encontra-se a Favela do Dendê, citada constantemente nas páginas policiais de jornais impressos ou programas de TV, que mostram crimes violentos, tráfico de drogas e muitos outros problemas enfrentados pela comunidade.

Longe de mostrar as causas de tudo isso, seu contexto, os meios de comunicação contentam-se apenas em apresentar fatos isolados, contribuindo ainda mais para o aumento da discriminação para com os habitantes do Dendê.

Historicamente, esta favela passou a chamar-se Água Fria nos anos 60, tendo seu nome alterado nas décadas seguintes para Edson Queiroz. Trata-se de uma comunidade que se encontra dentro de um dos bairros mais procurados pela especulação imobiliária, mas excluída da própria sociedade onde está inserida, constituindo-se num universo à parte: a comunidade sofre com a falta de saneamento básico e escolas. Frente ao descaso das autoridades públicas, os jovens crescem na ociosidade e muitas vezes são levados ao caminho da criminalidade.

Para além das páginas policiais de jornais diários, entretanto, a comunidade tem seus pontos positivos, que não são mostrados pela mídia: dentro da comunidade existem grupos ligados à igreja católica ou protestante e pequenas associações trabalham para diminuir o número de jovens fora da escola, a fim de evitar a entrada deles para o mundo do crime. Além disso, o Dendê se beneficia com a parceria de uma universidade privada, cujos alunos exercem estágios e outras atividades em favor da população, principalmente na área da enfermagem e da informática.

Uma associação de moradores desenvolve um projeto local com crianças e adolescentes de sete a dezessete anos, mostrando a eles um caminho alternativo para as dificuldades da realidade em que vivem, promovendo uma formação cidadã por meio do esporte: futebol de campo, futsal, volêi e outras atividades físicas, além de pequenos grupos de música, são as portas para uma convivência digna entre os moradores mais jovens da favela, que dispõe de poucos espaços destinados ao lazer.

O Dendê é uma comunidade pequena. As casas dos moradores seguem o estilo interiorano, assim como a própria estrutura do lugar, que não possui farmácia ou açougue, e, dessa forma, os habitantes são dependentes do entorno, ou seja, da outra área do bairro Edson Queiroz, onde vivem pessoas de um nível econômico bem mais elevado.

Enquanto a comunidade segue oprimida entre dois mundos diversos, ainda assim seus moradores esperam as melhorias e a devida atenção por parte do poder público.

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