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Opinião

E a população escolhe o terrorista…

sexta-feira, 29 de março 2024

No domingo, Jesus entrará triunfalmente em Jerusalém, simbolicamente montado num jumentinho virgem de montaria. A populaça o saudara com erguendo folhas de palmeiras e gritos de “Hosana! Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor! (Mt. 21.9; Mc. 11. 9, 10; Jo. 12.13). Era o início da caminhada do Rei dos judeus para o martírio do Calvário. Um rei cujo reinado não sendo deste mundo (Jo. 18.36) seria sim o Messias, o Libertador. Não no sentido político, revolucionário, como ainda hoje o imaginam propagadores de heresias libertacionistas. Mas o Messias que por intermédio do seu martírio e morte de cruz, conforme as profecias, libertou toda a humanidade da escravidão do pecado.
Durante a semana das dores, Jesus, suspeito de sedição pelos romanos, foi submetido a julgamento. Na verdade, acusado pelos chefes do Templo, detentores de poder religioso e político, de haver cometido blasfêmia ao se autoproclamar Filho de Deus. Juntamente com Jesus estava sob julgamento um bandido. Essa é a qualificação que lemos para Barrabás no Evangelho de João, 18.40, segundo a maioria das traduções. Todavia, o Papa Bento XVI ensina que “no contexto político de então, o termo grego por ele usado tinha assumido também o significado de ‘terrorista’, ou ‘combatente da resistência.” Com efeito, este é o sentido que lhe concede Marcos: “Havia um, chamado Barrabás, preso com outros amotinadores que, numa revolta, haviam cometido homicídio” (15. 7).
É claro que Pilatos conhecia ambos os casos. Ele sabia que Jesus não era um revolucionário político igualmente a Barrabás. Como observa Bento XVI, o governador romano tinha consciência de que a mensagem e o comportamento de Jesus não constituem perigo para a dominação romana. “Se Jesus transgrediu a Tirá, a ele, Pilatos, que é romano, não lhe interessa,” sentencia Bento XVI.
Porém, os senhores do Templo, sacerdotes do judaísmo, pactuaram para conseguirem a condenação de Jesus. Por um lado, pressionaram o covarde Pilatos, afirmando “só temos por rei a César”; por outro, estimularam a população a se manifestar pela libertação de Barrabás, o terrorista. (Mc. 15.11). John Dominic Crossan (A ÚLTIMA SEMANA) e também Bento XVI (JESUS DE NAZARÉ, vol. 3) lembram que aquelas pessoas que pediam a libertação do bandido e a condenação do inocente não eram as mesmas que saudaram Jesus no domingo e bem aquelas que ouviam Jesus no templo durante a semana. Eram provavelmente gente “aparelhada” pelos sacerdotes que viam em Jesus um perigo para o poder temporal do judaísmo. Enfim, falsamente acusado, Jesus foi condenado no lugar do terrorista. Como afirma Bento XVI, o episódio da condenação do Messias leva-nos a crer que “A humanidade se encontrará sempre de novo perante a mesma alternativa: dizer SIM àquele Deus que age apenas com o poder da verdade e do amor ou apoiar-se no concreto, naquilo que vem está ao alcance da mão, na violência.” Com efeito, sem dúvida, muitas vezes os violentos se apresentam como paladinos da paz e dos direitos humanos, enquanto crucificam inocentes.

BARROS ALVES
JORNALISTA, POETA E ASSESSOR PARLAMENTAR

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