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Opinião

Em 1974 o MDB impôs estrepitosa derrota ao governo central

quarta-feira, 24 de abril 2024

O Brasil já se tornou reconhecido pelo pioneirismo na realização de inúmeras disputas eleitorais, no decorrer de uma longa vivência democrática, entretanto, talvez nenhuma tenha sido tão marcante como o pleito legislativo de 1974, especialmente pelo seu valor histórico no contexto nacional, uma vez que vivíamos sob a égide do regime de governo comandado pelas forças revolucionárias. Naquela ocasião, o Brasil completava 10 anos de ruptura institucional, consequente da deposição do Presidente JOÃO GOULART, em 31 de março de 1964, quando a chefia da Nação passou a ser ocupada por militares, que exerciam o Poder, respaldados por atos discricionários. Com a implantação do novo regime, diversos parlamentares tiveram o mandato cassado, servidores públicos foram forçados à aposentadoria compulsória, e os partidos, símbolo maior da Democracia, foram todos extintos, estabelecendo-se um bipartidarismo que perdurou até o advento da Lei de Anistia, em 1979. Embora o país vivenciasse um período político de restrições, as disputas para o Congresso Nacional, Assembleias Legislativas, Câmara de Vereadores e algumas prefeituras eram realizadas pelo voto direto, numa verdadeira “briga de foice” entre a governista Aliança Renovadora Nacional-ARENA e o oposicionista Movimento Democrático Brasileiro-MDB, com o pleito de 74 entrando para a História como “a eleição que abalou a ditadura”. A polarização entre as duas siglas havia se tornado inevitável, mormente após a contenda anterior (1970), quando num conjunto de 44 cadeiras senatoriais em disputa, o MDB conquistou apenas quatro (as três da então Guanabara e uma de São Paulo), com a ARENA abocanhando o restante das demais Unidades Federadas. Para alguns estudiosos do assunto, diversos fatores contribuíram para derrocada eleitoral governista, sendo o principal deles a crise do petróleo, que impactou a economia em todos os quadrantes do planeta, no caso do Brasil, evidenciando o início do desgaste político e institucional da ditadura, dessa forma, contribuindo para o robustecimento da oposição no Legislativo. Aquela histórica competição ensejou a ascensão ao Parlamento nacional de nomes emedebistas que despontariam como ícones de nossa vida política, a exemplo de ITAMAR FRANCO (MG), ROBERTO SATURNINO BRAGA (RJ), MARCOS FREIRE (PE), sem contar os cerca de 160 deputados federais também eleitos na ocasião. Nessa mesma leva, este escriba foi alçado, pela primeira, a um mandato no Senado República, estimulado por correligionários e, principalmente, o inolvidável ULYSSES SILVEIRA GUIMARÃES, que comandou a nossa agremiação por quase duas décadas, transformando-a no maior Partido político do país. Confesso que foi a batalha mais acirrada dentre todas de que participei, sobretudo pelo potencial que representava a candidatura do meu concorrente, o saudoso EDILSON DE MELO TÁVORA, que tinha o apoio do Governador do Estado, CÉSAR CALS, além de apoiado por outras figuras de peso da política cearense. Nesse clima de batalha instigante, após 16 anos como deputado estadual, fui guindado à Câmara Alta do Poder Legislativo, somando inéditas 16 cadeiras conquistadas pelo aguerrido MDB.

MAURO BENEVIDES
JORNALISTA E
SENADOR-CONSTITUINTE

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