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Opinião

ESG e ODS: caminhos para um futuro sustentável

sexta-feira, 05 de julho 2024

A urgente necessidade de alinhar o desenvolvimento econômico aos limites do nosso planeta tornou-se um desafio para todos. Nos últimos anos, a Europa tem sido uma vanguarda na promoção de investimentos sustentáveis. Para isso, tem proposto a integração dos critérios ambiental, social e governança previsto na ESG e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU em suas políticas. Ou seja, os investimentos europeus e os acordos comerciais serão destinados a empresas e países que apostem em comportamentos éticos e sustentáveis.

Sem dúvidas trata-se de uma evolução para enfrentar os desafios globais contemporâneos. Mas essa tendência positiva também esbarra em obstáculos. Entre os principais, destaco a necessidade de maior conscientização e capacitação sobre os benefícios e as práticas de investimentos sustentáveis e a falta de padronização na avaliação e na divulgação de informações ESG, o que pode dificultar a comparação entre empresas e setores.

É preciso que os critérios ESG, que são um conjunto de padrões que ajudam os investidores a avaliar o comportamento ético e a sustentabilidade de uma empresa, sejam mais divulgados. O critério ambiental, por exemplo, analisa o impacto de uma empresa no meio ambiente, levando em conta as mudanças climáticas e a gestão dos recursos naturais. O social tem como foco a relação da empresa com seus empregados, fornecedores, clientes e comunidades. A governança examina as práticas de liderança e administração corporativa, incluindo a transparência, a ética e a estrutura do conselho de administração.
A aplicação de critérios ESG é essencial para garantir o crescimento do negócio e contribui também para um desenvolvimento mais equilibrado e sustentável. As empresas que aderem a esses critérios tendem a ter uma gestão de risco mais eficaz, um melhor relacionamento com stakeholders e, em última análise, uma maior resiliência frente a crises econômicas e ambientais.


Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015 e são um conjunto de 17 propósitos destinados a erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir a prosperidade para todos até 2030. Eles abrangem uma vasta gama de questões, desde a fome zero até a igualdade de gênero, passando pela ação climática e a promoção de sociedades pacíficas e inclusivas.

Mas, a implementação destas metas está longe do ideal. Nesta semana, o Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2024, que foi apresentado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, mostrou que apenas 17% dos propósitos estão na direção certa para atingir seu cumprimento em 2030. Faltam apenas seis anos para o prazo final e o documento nos mostra que sem investimentos maciços e ações em escala, o cumprimento dos ODS pode permanecer indefinido.

Esses dados reforçam o alerta de que os esforços precisam ser abraçados por todos. A adoção dos ODS, como um quadro de referência nas políticas de investimento europeias, tem o potencial de direcionar os fluxos de capital para projetos e empresas que estão comprometidos com a criação de valor sustentável. Isso não só promove o desenvolvimento econômico, mas também garante que seja inclusivo e ecologicamente responsável.

Para quem está atento a estes critérios, as oportunidades são vastas. Empresas que aplicam práticas ESG robustas tendem a atrair mais investidores, melhorar sua reputação e ter acesso a capital a custos mais baixos. Para os investidores, a incorporação de critérios ESG e ODS pode resultar em portfólios mais resilientes e alinhados com as expectativas de uma sociedade cada vez mais consciente e exigente em relação à sustentabilidade.

Como um exemplo de suas políticas progressistas e compromisso com o desenvolvimento sustentável, podemos citar o Plano de Ação para o Financiamento Sustentável, que foi implementado pela União Europeia e inclui medidas como a criação de um sistema de classificação para atividades econômicas sustentáveis, a incorporação de fatores ESG nos deveres fiduciários dos investidores e a melhoria da transparência corporativa em questões ambientais e sociais.

Reconhecemos que enfrentar os desafios ambientais é uma longa jornada, mas os primeiros passos precisam ser dados. A incorporação de ESG e ODS nas políticas de investimento europeias é uma ação fundamental para um futuro mais sustentável e justo. Continuar a promover e aprimorar essas políticas, nos países e nas empresas, será crucial para enfrentar as demandas inadiáveis do século XXI e garantir um crescimento econômico que respeite os limites do nosso planeta.

BEATRIZ SIDRIM
JURISTA E CEO DA DESTINOS
OBJETIVOS

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