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Opinião

Fato ou fake?

quarta-feira, 10 de julho 2024

Ora, ora, vejam só! Escrevi recentemente sobre mudanças de casa, mais precisamente sobre mudança de um apartamento para outro dentro do mesmo condomínio e minhas primeiras leitoras, curiosas, perguntaram: é verdade o texto? Você, caro leitor, tem o hábito de se perguntar acerca da veracidade do que lê? Devo dizer que sim, o texto, a crônica falava a mais pura verdade, embora eu pudesse mentir. Mentir não é bem a palavra quando se trata de escrita, de literatura, de gêneros textuais. Eu poderia muito bem inventar situações, fazer o relato de um personagem, imaginar vidas que se mudam daqui pra ali. Nós, escritores, temos licença para isso, certo?

Quando se trata de crônica, não sou muito adepto de fake, mesmo que esta fake seja uma fake do bem, de boas. Diferentemente das fake news, que são maléficas, desinformam, causam ódio, cegam os que enxergam, mas mesmo assim não param de circular pelo zap. Imagine a inventividade para o mal que deve reinar nos cérebros que elaboram, que constroem notícias falsas. Nem a situação dramática pela qual passa o Rio Grande do Sul (força, gaúchos!) escapou de ser alvo de fake news. Elas têm um pé na realidade, seduzem, induzem a crença nelas, mas o outro pé está distante do primeiro, é impossível que fiquem muito tempo erguidas, caem de sua própria altura, desmascaradas por seres bem informados, ou por jornais, portais de notícias que contam com o serviço de checagem das informações.

Mamadeira de piroca, kit gay, grávida de Taubaté. A desinformação acompanha o ser humano talvez desde a sua origem. Quem garante que o homem das cavernas não enganava seus semelhantes com códigos, sons, pinturas rupestres? Podia muito bem despistar um bando com a perspicácia de uma mentirinha fabricada por sua própria inteligência, que não sairia na TV nem seria post no Instagram.
Hoje com todo o aparato tecnológico que temos ainda há quem caia na farsa, quem acredite na mentira inventada, criada com segundas, terceiras e quartas intenções. Agora com a inteligência artificial a coisa ficou mais séria e perigosa. Basta encomendar que em segundos sai um texto prontinho, uma imagem alterada, você aonde não estava. Mas felizmente sempre teremos a capacidade de perguntar: é fato ou fake?

FELIPE AUGUSTO FERREIRA FEIJÃO
PROFESSOR E
MESTRE EM FILOSOFIA

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