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Opinião

Interregnos no Legislativo trouxeram-me encargos em instituições financeiras e secretarias

quarta-feira, 21 de fevereiro 2024

Durante as mais de cinco décadas de desempenho no Poder Legislativo, em alguns instantes estive ausente do exercício de mandatos, o que me possibilitou outras experiências na vida pública, quer em estabelecimentos financeiros ou no comando de outros órgãos da Administração Direta. Antes de mais nada, devo sublinhar o meu afastamento da Assembleia Legislativa, após assumir o primeiro mandato, convidado que fui pelo governador PARSIFAL BARROSO, para exercer o cargo de Secretário de Interior de Justiça, no período, acumulando interinamente as Pastas da Fazenda e a de Educação. A partir da segunda Legislatura, cumpri integralmente os mandatos que me foram outorgados pelo bravo povo cearense. Ao deixar a Assembleia, onde permaneci por 16 anos, tomei assento na Cadeira senatorial, eleito em acirrada competição, no ano 1974, quando o MDB, na condição de legenda oposicionista, desbancou nomes conhecidos do cenário político nacional. Nas eleições de 1982, atendendo a uma imposição partidária, fui lançado candidato ao Governo do Estado, mesmo sabendo das dificuldades para obtenção do êxito, pois enfrentaria tradicional corrente política que, há muito, dominava a máquina governamental. Passada a competição que disputei como cabeça de chapa, vi-me, pela primeira vez, por algum espaço de tempo, sem mandato, quando recebi convite do hábil governador FRANCO MONTORO, para assumir uma vice-presidência do portentoso Banco do Estado de São Paulo-BANESPA, ali granjeando experiência providencial sobre a dinâmica do setor financeiro. A passagem pelo banco paulista me levaria, dois anos mais tarde, a ser sondado pelo então presidente eleito, TANCREDO NEVES, para comandar o Banco do Nordeste, coadjuvado por capacitado quadro diretivo, muitos nomes com extenso histórico de serviços prestados ao próprio estabelecimento creditício. No BNB foi um período relativamente curto, já que tive que pedir exoneração, mesmo contra a vontade do Presidente SARNEY, conforme preceitua a legislação eleitoral, para que pudesse postular o segundo mandato de senador. Outro momento a ser registrado – este, quando deputado federal –, foi quando JOAQUIM RORIZ, eterno governador do Distrito Federal, indicou-me para chefiar a Secretaria de Relações Institucionais, no ano de 2004, talvez motivado pela minha antiga vinculação com a Capital da República, uma vez que fui o último presidente da Comissão do Distrito Federal, no âmbito do Congresso, além de ser o presidente da Sessão que aprovou a autonomia política de Brasília, durante os trabalhos da Assembleia Nacional Constituintes. Estas, assim como o exercício de cada mandato, foram experiências enriquecedoras de uma cinquentenária trajetória política, com o julgamento sobre tais desempenhos ficando ao alvedrio dos meus coestaduanos.

MAURO BENEVIDES
JORNALISTA E
SENADOR-CONSTITUINTE

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