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Opinião

Juros globais persistem altos

quarta-feira, 08 de maio 2024

Se, felizmente, o Mundo praticamente superou as mazelas humanitárias decorrentes da mais grave pandemia ocorrida nos últimos 100 anos, refiro-me à Covid- 19, que ceifou mais de 15 milhões de vidas em escala global, tendo infectado centenas de milhões de pessoas – estima, em razão da subnotificação, que este número ultrapassou a 1 bilhão -, persistem ainda efeitos danosos no seio da economia, em especial, a fixação por muitos países de taxas de juros em patamares bem acima de suas médias históricas.
Por exemplo, os principais países que compõe a zona de Euro, que desde o pós Segunda Guerra Mundial adotavam juros na faixa de 1% a 1,5%, tem mantido, a partir da COVID-19, índices praticamente três vezes maiores. Em sua última reunião, O Banco Central Europeu (BCE) aumentou as taxas de juros em 0,25 ponto percentual, a 4%, o nível mais alto desde o lançamento do Euro, em 1999.
Mas a situação mais impactante é dos Estados Unidos, pois além de ostentar o título de maior economia do planeta, o Dólar americano ainda mantem-se como a principal moeda de referência nas transações globais, como também, o mais cobiçado ativo monetário de reserva de valor.
E assim, à medida que o FED (Federal Reserve), que é o banco central dos Estados Unidos, tem sistematicamente mantido sua taxa básica de juros quase três vezes maior que os padrões adotados nos últimos 70 anos, faz provocar impactos que extrapolam a economia doméstica daquele país, com reflexos monetários e comerciais em todo o Mundo.
Segundo os principais analistas, esta política de arrocho monetário seguida pelo FED, que em sua última reunião na quarta-feira passada, 01 de maio, manteve a taxa de juros americana no atual corredor de 5,25% e 5,50% ao ano, já era amplamente aguardada pelo mercado, a despeito do forte ritmo de atividade econômica local e de geração de emprego.
Contudo, as pressões inflacionárias persistem, principalmente nos setores alimentícios e de serviços, o que leva a uma descrença que o ciclo de queda dos juros americanos inicie-se em um curto prazo.
As decisões da política monetária dos Estados Unidos reverberam por toda a economia global. Sendo a taxa de juros americana uma das ferramentas mais poderosas do FED para moldar a economia dos Estados Unidos e, como os mercados financeiros estão interconectados globalmente, seus níveis juros têm um impacto significativo em todo o mundo, influenciando os mercados financeiros, as taxas de câmbio e o comércio internacional.
Desta forma, quando as taxas de juro aumentam nos Estados Unidos ou em outras economias desenvolvidas, os investidores retiram fundos de mercados emergentes, onde os rendimentos costumam ser mais interessantes, porém, mais arriscados. A resposta dos países em desenvolvimento é elevar suas próprias taxas de juro para aumentar sua atratividade frente a investidores internacionais, mas a um custo de frear a atividade econômica.
Assim, o grande desafio brasileiro, que tem sido enfrentado e muito bem conduzido pelo atual comando de nosso Banco Central, é de gerar condições que viabilizem a manutenção do ciclo de queda gradual da taxa de juros interna, numa dosagem e graduação que se coadune com as pressões monetárias externas.
Mas para isso, dependemos de um componente essencial: a confiança. Sentimento que só será conquistado à medida que o Estado buscar arduamente alcançar as metas inflacionárias (missão que não depende unicamente do BC), transmitir segurança jurídica institucional e alcançar um duradouro e consistente equilíbrio fiscal das contas públicas.

JOSÉ MARIA PHILOMENO
ADVOGADO
E ECONOMISTA

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