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Opinião

Letras e músicas

quinta-feira, 25 de abril 2024

Sempre que vou assistir a um Filme, não só procuro saber quem são os atores, mas quem é o Diretor, muitas vezes até atribuindo o sucesso de uma boa produção cinematográfica aos que ficam por trás das câmeras.
Em tema de música, isso acontece de forma mais intensa, quando se trata de saber quem canta ou interpreta, e quem compôs a letra.
Até por uma razão bem plausível, isso acaba me despertando mais interesse, pois só se compõe uma letra de música, uma única vez; enquanto o exercício do canto ou da interpretação, geralmente é feito por mais de uma pessoa, à sua maneira.
Quando se ouve uma boa música brasileira, vira e mexe nos depararemos com alguma composição do músico-arquiteto, ou arquiteto-músico, conhecido como Fausto Nilo.
Esse cearense “da gema” compôs centenas de letras de músicas para artistas de todo o Brasil, que ainda precisam ser estudadas e receberem o devido tributo, que é o reconhecimento.
Embora o Autor seja imune à vaidade, ele tem seu próprio espelho, o que revela a autoconsciência da importância de seu trabalho, para a humanidade, seja como um técnico, na Arquitetura; seja como um poeta, na dimensão dos versos que compõe.
Um dos seus mais importantes parceiros na Música é o também cearense Fagner, com quem fizera inesquecíveis sucessos, como “Pedras que cantam”, só para exemplificar, com a música que o Brasil inteiro ouviu na abertura da Novela “Pedra sobre pedra”.
Os versos iniciais que incitavam uma reflexão sobre a condição social logo despertaram os ouvidos de Tom Jobim, que fez questão de conhecer quem era seu Autor, através de Fagner.
O Maestro das “Águas de março” ficou encantado com a criatividade e a sintonia entre o verso e a melodia presentes nos versos do mesmo criador do clássico “Astro vagabundo”.
Do Ceará a Pernambuco, Bahia, Rio ou São Paulo, Fausto Nilo imortalizou suas criações, nas músicas de grandes nomes da MPB ou mesmo do Rock nacional, como aconteceu na parceria com Lulu Santos, em “Tudo com você”, um dos maiores sucessos do cantor.
Em Pernambuco, o fenomenal guitarrista Robertinho do Recife musicou várias composições de Fausto; como também fizera Moraes Moreira, para a abertura da Novela Roque Santeiro.
Ainda falando dos baianos, Armandinho e seu Grupo “A cor do som” gravaram “Zanzimbar”, em cujo processo de criação, deve-se destacar o esmero e a genialidade com que compunha.
O próprio Fausto, em entrevista ao “Canal corredor”, do You tube revelou como se dá seu processo de criação, quando explica, por exemplo, a seleção e maturação por que passa cada palavra, como ocorreu com “aliás”, inserida entre os versos de Zanzimbar.
Seja como músico (ainda que tenha se revelado mais como compositor do que cantor de suas próprias canções); seja no trabalho como arquiteto, o cearense de Quixeramobim completou 80 anos neste último dia 05, dos quais mais da metade foram dedicados à Musica.
Vida longa a quem tanto contribuiu para a Cultura e as Artes, especialmente nos versos que se tornaram seu grande legado!

PAULINO FERNANDES
DEFENSOR PÚBLICO E PROFESSOR

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