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Opinião

Palestina – Opiniões de Mahmoud Darwish: “o incurável mal da esperança”

quinta-feira, 28 de março 2024

“Eu não odeio as pessoas. Eu não roubo ninguém. Cuidado com a minha fome e com a minha raiva”.
1.Sei que mestres das palavras não carecem de retórica diante da eloquência do sangue. Por isso, nossas palavras serão tão simples quanto nosso direito: nascemos nesta terra e desta terra. Não conhecemos outra mãe, não conhecemos outra língua materna senão a sua. E, quando compreendemos que ela porta em si história demais e profetas em demasia, compreendemos que o pluralismo é um espaço que abraça de maneira ampla, e não uma cela de prisão, que ninguém tem o monopólio de uma terra, de Deus, da memória. Sabemos também que a história não pode se vangloriar nem de equidade nem de elegância. Nossa tarefa, contudo como seres humanos, é humanizar esta história da qual somos simultaneamente vítimas e produto.
2.Não há nada mais evidente que a verdade palestina e a legitimidade palestina: esta terra é nossa e esta pequena parte é uma parte de nossa terra natal, uma terra natal real e não mítica. Esta ocupação é uma ocupação estrangeira que não escapa à acepção universal da palavra ocupação, sejam quais forem os títulos de direito divino que ela cita;Deus não é propriedade pessoal de ninguém.
3.A situação atual é de uma evidência gritante, não se trata de uma luta entre duas existências, como quer o governo israelense: eles ou nós. A questão é acabar com a ocupação. A resistência à ocupação não é somente um direito. É um dever humano e nacional que nos faz passar da escravidão à liberdade.
O caminho mais curto para evitar outros desastres e chegar à paz é libertar os palestinos da ocupação e libertar a sociedade israelense da ilusão de um controle exercido sobre outro povo.
A ocupação não se limita a nos privar das condições de liberdade, ela nos priva até mesmo do essencial de uma vida humana digna, declarando a guerra permanente aos nossos corpos, nossos sonhos, às pessoas, às casas, às árvores, cometendo crimes de guerra. Ela não nos promete nada de melhor a não ser o APARTHEID e a capacidade da espada de vencer a alma.
Mas nós sofremos de um mal incurável que se chama esperança. Esperança de liberdade e independência. Esperança de uma vida normal, na qual não seremos nem heróis nem vítimas.
PS: Excertos de “Sofremos de um mal incurável:a esperança” – discurso pronunciado em Ramallah, em 25/03/2002 [Viagem à Palestina – Ediouro, 2002].
PS:M. Darwish: intelectual palestino falecido em 2008. Poeta, escritor e político que ajudou a forjar uma consciência palestina.

FERNANDO MAGALHÃES
ASS. TÉC. DA ALECE

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