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Opinião

Parada cardíaca em menina teria sido pela vacina?

sexta-feira, 21 de janeiro 2022

Avacinação das crianças de 5 a 11 anos contra a Covid-19 apresentou seu primeiro obstáculo. É a oportunidade para eliminar (ou pelo menos diminuir) as dúvidas dos pais sobre a aplicação do imunizante nos filhos. Uma menina de 10 anos, vacinada em Lençóis Paulista, sofreu parada cardíaca e está internada em tratamento e observação. O município suspendeu por sete dias a aplicação da vacina nessa faixa etaria, até que se conheça o resultado da investigação. Apesar de lamentável e incômodo, o incidente requer empenho e ação da comunidade cientifica brasileira para o seus esclarecimento e conclusões sobre os possíveis efeitos colaterais da vacina em crianças. Anvisa, Ministério da Saúde, Secretaria de Sa&ua cute;de de São Paulo e os centros nacionais do saber nessa área devem ir fundo na prospecção do ocorrido. Essa conclusão, dependendo do seu teor, poderá servir tanto para tranquilizar a população, quanto para suspender ou alterar o esquema de administração da vacina.

A conclusão a dos cientistas brasileiros desperta o interesse em todo o mundo, inclusive na Organização Mundial da Saúde, que já está ciente do ocorrido no interior paulista e aguardando os informes. Em todos os países, os pais – que durante dois anos ouviram dizer não haver necessidade de vacinar as crianças – têm hoje justificadas dúvidas quando são chamados a levá-las, até obrigatoriamente, para imunização. O fato concreto de Lençóis Paulista deverá contribuir para o esclarecimento da questão. Mesmo que, por razões éticas, o histórico de saúde da pequena vítima não possa ser divulgado, ele será de fundamental importância para as autoridades de saúde decidirem pela continuidade da vacina&cced il;ão como está ou por alterações cientificamente indicadas como, por exemplo, a vacinação somente por requisição médica, conforme já foi sugerido. Tudo tem de ser feito para evitar novas ocorrências do gênero.

O país possui especialistas altamente qualificados e respeitados no mundo científico para dar as respostas que o momento exige. O incidente de Lençóis Paulista – que hoje é notícia internacional – deverá gerar conhecimento para a solução do problema em todo o planeta. Por ser de interesse da ciência, não será tratado sob o prisma ideológico, político ou judiciário. A propósito, o despacho do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, deveria ser revisto, possivelmente por ele mesmo. Provocado pelo partido Rede Sustentabilidade, o magistrado determina ao Ministério Público das 27 unidades federativas fiscalizar os pais que não estão vacinando os filhos contra a covid-19, inclusive com a eventual aplicação de penalidades. Seria o caso de agora indagar o que fazer na outra ponta, em relação àqueles que vacinaram e os filhos tiveram problemas, como o da menina de Lençóis Paulista.

Data vênia, os políticos não deveriam se envolver e jamais acionar o Poder Judiciário nessa questão – o direito do indivíduo de receber ou não um medicamento – e o Judiciário poderia abster-se de acolher as demandas partidárias, na maioria das vezes despidas de qualquer caráter cientifico, mas cobertas por claros objetivos político-eleitoreiros. Que se respeite o direito do cidadão e as autoridades administrativas – notadamente as da Saúde – cumpram suas obrigações sem quaisquer pressões ou imposições. Se for questionar os pais que não vacinarem, é preciso também ir atrás dos 20 milhões de adultos que fugiram da vacina, o que seria impraticável.

O ideal seria que todos se vacinassem, já que esta é a política oficial adotada para o combate à pandemia. Mas vivemos num estado democrático de direito onde jamais poderá ser ignorada a prerrogativa do cidadão de aceitar ou não a droga que lhe seja ofertada. Precisamos de paz para enfrentar a tormenta que, por si, é devastadora. Seu aproveitamento político e o acionamento do torniquete judicial são flagrantes injustiças e em nada contribuem para o fim do sofrimento da população. Que se pronuncie a ciência, sem qualquer interferência de quem não seja do ramo e possa ter interesses diferentes do que a solução do problema…

DIRCEU CARDOSO GONÇALVES
TENENTE E DIRIGENTE
DA ASPOMIL

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