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Opinião

Presidente, improviso e emoção, maus parceiros

quarta-feira, 20 de março 2024

A Nação vive dias apreensivos. Reconhece o direito do presidente sonhar com a sua designação ao posto de secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), ser agraciado com o Prêmio Nobel da Paz e ter acesso a outros postos e honrarias que o transformariam um verdadeiro e destacado cidadão do mundo. Preocupam, no entanto, as ações que o próprio e os que o cercam têm desenvolvido rumo a esse desiderato. Os discursos, opiniões e ações de Lula sobre a guerra Rússia-Ucrânia, os conceitos emitidos sobre o conflito Hamas-Israel (que comparou ao Holicausto de Hitler) e ideias surreais externadas em assuntos internacionais, além de queimar as pestanas do discreto pessoal do Itamaraty, têm turvado a imagem do nosso suposto postulante ao posto de líder global. Hoje ele amarga, entre outras rusgas, a incômoda declaração de persona non grata em Israel, o que pode ter consequências.
Depois de revogar os preparativos de seus antecessores para a desestatização da Petrobras e de outros ativos mantidos pelo governo, o vemos glozando parte dos pagamentos dos dividendos da petroleira aos seus acionistas – que só investem na expectativa de realizar lucros – e, com isso, provocar a derrocada nos preços das ações da companhia, que encolheram 10% no episódio.
Sem falar, é lógico, das turras com o Congresso ao editar a malfadada medida provisória com a qual pretendeu revogar a lei de desoneração das contribuições previdenciárias dos milhares de trabalhadores dos 17 setores que mais empregam no País, não sem antes tentar vetar a matéria e ter seus vetos integralmente rejeitados pelos parlamentares, onde não tem maioria para aprovar seus projetos. Desnecessário dizer do flerte com governos e ditaduras de esquerda que produziram críticas e desgaste ao Brasil e seu governante, como na campanha eleitoral da Argentina, onde apoiou os esquerdistas perdedores e apanhou de Javier Milei,o vencedor.
Com seu histórico de líder que conheceu a dura vida de retirante, decolou como líder sindical, ganhou projeção política a ponto de ser eleito deputado constituinte e converter-se no grande eleitor de quatro mandatos presidenciais (dois dele próprio e dois da sua sucessora Dilma Rousseff), é compreensível Lula, que hoje se encontra no seu terceiro período à frente do governo brasileiro, aspirar algo ainda maior. Mas deveria evitar tentar consegui-lo através de discursos de improviso, onde pode ser traído pela emoção ou mesmo falta de conhecimento. Certamente caminharia melhor se, no lugar do ímpeto que o moveu nos embates nacionais, se valesse da experiência do pessoal da diplomacia e do grande número de amigos reconhecidamente capazes que possui e poderiam conduzi-lo a portos mais seguros. Por mais capaz que seja, um homem sozinho não consegue dominar todas as áreas e fazer sucesso. O bom é poder contar com assessorias e bons amigos, que não lhe faltam. Mas se conter e evitar o recurso da emoção que, via-de-regra, é má companheira.
Mercê da História – com acertos e desacertos e o trabalho continuado de muita gente, especialmente da sociedade civil, somos hoje um próspero país que se encontra entre as dez principais economias do mundo. Nosso governante deve abster-se do voluntarismo, que tantas vezes o conduziu aos seus objetivos, melhor que se posicione no lugar de maestro e, quando não souber a música, deixe o toque para os outros membros da grande orquestra e busque colher os louros da boa apresentação. Não dispense a colaboração de líderes, especialistas em diplomacia, economia, agronegócio, educação e tantos ramos quanto os componentes da vida nacional; aproveite-os acordes do seu espetáculo, tornando-o útil e agradável, jamais uma ópera bufa. Esse é o nosso sincero desejo em favor de um Brasil melhor, equilibrado, pacífico e de povo feliz.

DIRCEU CARDOSO GONÇALVES
TENENTE E DIRIGENTE
DA ASPOMIL

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