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Opinião

Real: 30 anos do plano que transformou o Brasil

quarta-feira, 03 de julho 2024

Em 1º de julho de 1994 nossa atual moeda, o REAL, foi lançada. Era o início da 2º fase de um meticuloso e extremamente bem formulado, articulado e executado plano econômico, buscando eliminar a hiperinflação crônica que devastava o país há mais de 30 anos.
A hiperinflação fazia com que o índice anual ultrapassasse os 2.500%. População era obrigada a gastar rápido os seus salários antes que os produtos fossem remarcados já nas gôndolas dos supermercados. Em 1992, no início do governo de Itamar Franco, o Brasil registrava uma inflação superior a 2.000% ao ano. As remarcações de preços de produtos básicos eram diárias — quando não aconteciam mais de uma vez ao dia.

Governos anteriores haviam lançado um punhado de planos econômicos frustrados, incluindo o rumoroso Plano Collor, que chegou a confiscar o dinheiro da poupança dos brasileiros e forçar um congelamento nos preços para controlar os índices. Tudo havia dado errado, até chegar o Plano Real, que trouxe, de forma sustentável e duradoura a estabilidade monetária, eliminando o caos inflacionário.
A primeira fase da reforma monetária do Plano Real ocorreu em 28 de fevereiro de 1994, quando o governo enviou ao Congresso Nacional a medida provisória para a criação de uma segunda moeda, a Unidade Real de Valor (URV), que antecedeu o real e tinha paridade com o dólar. Fato do câmbio não flutuar muito no primeiro ano foi fundamental, já que o sucesso do plano dependia da credibilidade de estar ancorado em uma moeda forte.

A economista Selene Peres Nunes, uma das autoras da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), recorda que o Plano Real foi, além de inovador, capaz de baixar a hiperinflação para valores abaixo de 10% ao ano. “Acho que foi um plano muito inovador, lembrando que nós tínhamos tentado cinco congelamentos antes, sem sucesso. Então, foram vários planos e tudo sem sucesso. A equipe conseguiu fazer a entrega que foi a inflação sob controle. E isso teve consequências expressivas para o setor público e para o setor privado, além do cidadão, de modo geral”.
Na avaliação de Bacha, o Plano Real foi bem-sucedido no propósito básico dele. “O acerto foi que acabou com a inflação. Era a isso que ele se propunha”, frisa. “Durante quatro anos, ele segurou a inflação na base da âncora cambial. E, em 1999, foi introduzido o tripé econômico que está aí, em pé até hoje. Ele só fraquejou durante algum tempo quando a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e seus assessores inventaram a Nova Matriz Macroeconômica, que, basicamente, era uma licença para gastar, e ocultando o resultado com pedaladas e controlando a inflação com o controle de preços de energia e petróleo”.
O Plano Real deixou como legado o fim da hiperinflação, o que permitiu uma normalização da vida dos brasileiros. Com uma moeda estável, empresários e consumidores podem planejar seus dispêndios sem a imprevisibilidade causada pela variação constante de preços.
Desenhado por uma equipe econômica composta por nomes, como Fernando Henrique Cardoso, Pérsio Arida, Edmar Bacha, Gustavo Franco, Pedro Malan e André Lara Resende, o novo plano pôs fim à crise inflacionária e deixou a catástrofe de preços na memória.

JOSÉ MARIA PHILOMENO
ADVOGADO
E ECONOMISTA

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