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Opinião

Stalin, o veredicto da história VXII

quinta-feira, 21 de agosto 2008

Embora possa parecer longínquo das preocupações cotidianas, é importante ressaltar que o marxismo foi um acontecimento de extraordinária importância científica e política para a História Contemporânea. Obviamente que, resultado de muitas idéias e lutas, o marxismo foi um despertar intelectual para os séculos XIX e XX: prometia um futuro por escrever, um futuro amplo e luminoso. Sem qualquer sombra de dúvida, apenas no espaço de algumas poucas décadas, o stalinismo (“nova escravidão totalitária estabelecida pelo coletivismo burocrático”) consegui tincar inexoravelmente a teoria marxista – ao contrário da crença de Trotski em que as gerações pós-Stalin encarariam todos os horrores do stalinismo simplesmente como uma “recaída episódica”- com a ajuda de grandes e influentes intelectuais do ocidente.
 

Na sua deturpação do marxismo, o stalinismo soube mexer com corações e mentes brilhantes mundo afora. Na Rússia, o stalinismo explorou ao máximo o amor dos revolucionários russos pelo radicalismo, sua presteza em sacrificar tudo – história, cultura e seres humanos – em nome de uma idéia. A deificação de uma idéia ossificada desaguou para a indiferença para com as necessidades das pessoas nos tempos em que viviam. O radicalismo russo vestiu o manto do romantismo revolucionário e rejeitou as noções burguesas de felicidade, juntamente com a cultura burguesa. Stalin, sobretudo, proclamou a opinião de que tudo era permitido em prol da idéia. Ninguém jamais objetou que se tratava de uma idéia profundamente anti-humana em si mesma e um crime social contra o povo. O importante era ‘ultrapassar’, ‘derrubar’, ‘destruir’, ‘esmagar’, ‘quebrar’, ‘vencer’. Este radicalismo revolucionário , que nutria Stalin ,criou uma nova pseudocultura na qual suas idéias ocuparam lugar de honra. Pode-se então falar do stalinismo como nascido no solo do marxismo e nutrido pelas distorções de seus argumentos, mas daí não se conclua que o marxismo foi responsável pelo stalinismo.

Como sistema intelectual de opiniões filosóficas, econômicas e políticas sobre sociedade, natureza e pensamento, o marxismo não pode ser culpado pela maneira como foi interpretado. O marxismo não é um livro de receitas culinárias nem um plano de ação, embora tenha sido exatamente assim que Stalin o entendeu. A forma rígida, mecânica e primitiva com que expressou o marxismo, já perfeitamente evidente nos anos de 1920, foi o arauto dos infortúnios que viriam, infortúnios com os quais ele iria adornar o estandarte do marxismo como grande vitória do socialismo.
 

Existe outro aspecto do conflito intelectual, tanto antes como depois da Revolução de Outubro, que não deve ser descurado. Lenin atacou os mencheviques como politicamente impotentes, mas as críticas deles lançaram luz sobre o fenômeno do stalinismo, e eles persistentemente se posicionaram contra o bolchevismo dogmático que desumanizava e minava por dentro o marxismo.
 

Depois que Lenin faleceu, os mencheviques apontaram suas baterias para os métodos antidemocráticos de Stalin, realçando, entre outras coisas, seu afastamento das posições de Lenin. Os mencheviques anteviram duas possibilidades negativas no desenvolvimento da URSS, ou a contra-revolução ou a falsa revolução, e perceberam claramente que Stalin optara pela segunda alternativa. A essência do stalinismo, asseveravam, repousava em sua rejeição às tradições da socialdemocracia.
 

O que sinalizamos aqui é que o stalinismo floresceu quando as idéias formuladas por Marx em meados do século XIX, e na ausência de outras alternativas revolucionárias, foram transformadas em dogmas e em absolutos. A abolição do pluralismo revolucionário deslanchou o monopólio da verdade social e do poder político. A metamorfose de aliados e de críticos construtivos em inimigos conduziu à substituição da democracia revolucionária pela burocracia totalitária (D. Volkogonov/2004).

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