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Opinião

Tragédia no RS: a importância do voluntariado

quarta-feira, 15 de maio 2024

Em meio a uma das maiores calamidades humanitárias que já afetaram o País, desde que o Rio Grande do Sul começou a enfrentar fortes chuvas, uma enorme corrente solidária em socorro aos gaúchos mobiliza o País e leva a recorde de doações. O que mostra todo o espírito do povo brasileiro, que se une para ajudar aqueles que encontram-se em risco, vulnerabilidade e passando por privações.
Há inúmeros bairros e até municípios inteiros submersos. De acordo com dados emitidos pela Defesa Civil estadual gaúcha, nessa terça-feira (14), o número de mortos subiu para 147 pessoas, outras 959 ficaram feridas e 143 estão desaparecidas. Ao todo, 489.956 estão desalojadas e 88.206 foram encaminhadas para abrigos públicos. Dos 497 municípios gaúchos, 454 foram afetados.
Num esforço sem precedentes, o Brasil está testemunhando a maior mobilização de doações na história da Defesa Civil nacional. Segundo levantamentos, cerca de 3 mil toneladas de doações ( água envasada, alimentos, produtos de higiene e limpeza, medicamentos, roupas, agasalhos, rações animais, colchões, etc) estão sendo encaminhadas para o Rio Grande do Sul. Uma marca histórica para o país em resposta a desastres.
A solidariedade dos brasileiros tem sido enorme neste momento, e o crucial desafio é entregar todo esse material a quem precisa, sem que haja desperdício.
“Quanto mais toneladas, mais braços para carregar. Quanto mais doações, mais entusiasmo para receber. Um centro de distribuição em Porto Alegre tem de tudo, só não tem relógio na parede. O trabalho dos 1.200 voluntários atravessa noite e dia.” Esclareceu a voluntária Camila Baldini.
Além das numerosas doações em mercadorias e dinheiro, o espírito de solidariedade tem levado milhares de pessoas, de todas as partes do País, a se deslocarem ao RS para colaborar diretamente no resgate, atendimento às vítimas e reconstrução dos imensos danos materiais sofridos.
“Deixei de ficar sofrendo em casa, assistindo à essa tristeza toda e resolvi tentar mudar um pouco o cenário. Cada um faz a sua parte”, diz o voluntário Francisco Antônio de Oliveira, técnico em segurança, da cidade de Crato-CE, que, de carona em uma carreta que transportava donativos, passou 4 dias para chegar a Porto Alegre, onde está desde sexta-feira (10), ajudando na distribuição de donativos.
E a solidariedade em prol das vítimas das enchentes não se limita às fronteiras internas. Ajuda tem chegado de diversas partes do mundo. Há uma mobilização sem precedentes de portugueses e brasileiros que moram em Portugal, onde já arrecadaram toneladas de doações para o RS.
Uma multidão nas principais cidades portuguesas tem trabalhado intensamente na coleta, transporte e triagem de alimentos, produtos de higiene, roupas e brinquedos. O grupo ‘SOS RS em Portugal’, por meio do auxílio de empresários – sem qualquer envolvimento do governo -, já está contratando dois aviões para transporte dos donativos ao Brasil.
O momento atual, que vivenciamos um processo intenso e traumático de tragédia humanitária, relacionado a uma catástrofe da natureza, faz despertar aquilo que nos diferencia como seres humanos: a consciência de cidadania, o espírito de compaixão e o dever da solidariedade.
Ser voluntário é doar de coração para que a sua ajuda possa fazer a diferença na vida de quem precisa. É colocar em mente que não se trata do que você quer, e sim do que o outro precisa.

JOSÉ MARIA PHILOMENO
ADVOGADO
E ECONOMISTA

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