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Opinião

Trânsito: arrecadação e educação

quinta-feira, 24 de julho 2008

A desarrumação do trânsito é matéria requentada. Recorrentes, volta e meia surgem discussões à respeito da desobediência aos códigos de conduta, a fiscalização e a aplicação de penalidades.

Das esquinas às mesas de bares, passando pelas casas legislativas, a ladainha é sempre a mesma: discute-se muito a eficiência das barreiras eletrônicas como instrumentos de controle, e, quase sempre, deixa-se de lado a discussão da eficácia destes instrumentos na promoção da educação para o trânsito.

Assim sendo, o debate não evolui. Entre parlamentares, reavaliam argumentações emanadas do antagonismo insólito que oportunamente separa governistas de oposicionistas.

Em primeiro lugar, é necessário que os apeados ao poder tenham consciência do esforço arrecadatório do Executivo, haja vista o crescimento do montante recolhido aos cofres públicos originários de multas, anteriormente autorizado pela lei orçamentária.

Em segundo, é necessário acreditar que só e somente só o agente de trânsito tem o potencial de agir como orientador ou educador, portanto impossível de ser substituido por equipamentos eletrônicos, por mais sofisticados que se queira fazer crer.

A realidade mostra que quando recebemos a cobrança de uma multa, decorrente de um descuido ocorrido há meses, logo duvidamos da justeza da mesma, ou por uma falha de memória ou por não termos sido advertidos por um agente no ato da infração. Daí, a incoerência de achar que a multiplicação de fotossensores concorre para uma maior obediência e conscientização de quem pega o volante.

Para os gestores de trânsito, os fotossensores funcionam apenas para registrar o excesso de velocidade dos veículos. Para nós, motoristas, é diferente. Os que podem pagar, não dão a mínima para o boleto bancário. “Quem não pode, se sacode” é a máxima imposta pela mentalidade arrecadadora.

Tomando-se como violência qualquer tipo de desobediência aos códigos de conduta, podemos afirmar com base numa lógica muito simples, que o grau de violência no trânsito é diretamente proporcional ao montante arrecadado com a aplicação de multas. Por dedução, quanto mais violento o trânsito, maior será o número de multas aplicadas e menor a eficácia das políticas públicas de educação para o trânsito.

Os nossos agentes de trânsito seguem essa lógica. Com certeza, não foram preparados como educadores ou orientadores de motoristas e pedestres. Foram, na realidade, adestrados para o uso da caneta na aplicação de multas visando aumentar a arrecadação.

Não sei afirmar o que é mais violento no trânsito do Ceará e, em especial, no trânsito de Fortaleza: se as estatísticas de acidentes e mortes ou a agressão que sofremos em decorrência da aplicação de multas inconsequentes.

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