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Opinião

Uma incrível inversão de valores

quarta-feira, 17 de setembro 2008

Juvenal era um boêmio que adorava as noites da bucólica Praia de Iracema, a mais famosa de Fortaleza. Filho de um “esperto” coronel do interior cearense veio para a Capital cursar Medicina Veterinária para fazer a vontade do pai que o queria de volta ao torrão natal para cuidar do grande rebanho bovino. Para formar o filho, o velho coronel pagava o hotel e concedia-lhe gorda mesada.

Acontece que Juvenal não passara no vestibular, mas mandava dizer para o pai que precisava sempre de mais dinheiro, pois os livros adotados pelos professores da faculdade eram muito caros. Depois de cinco anos, Juvenal retorna à fazenda do pai e é recebido com festa e com muita ansiedade pela família, principalmente para salvar a “pintada”, a mais famosa vaca leiteira da região.

Tão logo chegou à casa grande da fazenda, o velho coronel pediu-lhe que fosse direto para o curral, pois queria que os fazendeiros vizinhos fossem testemunhas da competência do filho que, certamente, iria diagnosticar a doença da “pintada” e curá-la. Juvenal insistiu para fazer isto depois, mas o pai disse que ele não podia fazer uma desfeita dessa, até porque os peões e os vizinhos o esperavam ao lado da vaca.

Ao chegar ao curral, Juvenal viu a vaca deitada, se contorcendo de dores. Mandou que os vaqueiros levantassem a “pintada” e a segurassem com firmeza. Levantou o rabo da vaca e mandou o pai abrir a boca da bichinha e perguntou: “pai, o senhor está me vendo?” O velho respondeu que não. Então o falso veterinário deu o tão esperado diagnóstico: “com certeza é nó na tripa”. O velho coronel tomou aquele diagnóstico como verdadeiro e mandou embora o capataz e os demais peões que duvidaram do diagnóstico do falso veterinário.

Porém a verdade não tardou a aparecer e o velho coronel deserdou o filho e chamou de volta o capataz e os peões que mandara embora.

Qualquer semelhança do Juvenal com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, (não) é mera coincidência. Para agradar ao amigo-irmão Daniel Dantas, o emplumado Jobim, com toda a empáfia que lhe é peculiar, e com a farda de campanha, foi para outro “curral” diagnosticar para o chefe que a doença da República era a “grampolândia”, e que a causa era a irresponsabilidade da Agência Brasileira de Inteligência. Portanto a cura se daria com a demissão do seu diretor-geral, Paulo Lacerda, e dos demais membros da cúpula da Agência.

Acreditando no pupilo que se formou na mesma faculdade do Juvenal, o pai (Lula) não se fez de rogado e mandou embora o capataz e os peões da “fazenda” Abin que tiveram a ousadia de contestar o diagnóstico do emplumado ministro.

Contudo a verdade apareceu tão rápida como a celeridade do presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, em soltar bandido brando e rico.

Nelson Jobim acredita tanto na panfletária revista Veja quanto que a doença da “pintada” era nó na tripa. Por isso afirmou com veemência que foi o delegado Paulo Lacerda quem ordenou grampear o telefone do presidente do STF, pois a Abin, juntamente com o Exército, comprou aparelho de grampear telefones.

Acontece que o aparelho comprado – o Oscor 5000 – serve apenas para fazer varreduras. A máscara do amigo-irmão de Daniel Dantas caiu e ele não sabe onde botar a cara.

O que a Nação espera é que o chefe do ministro da Defesa tenha a humildade do velho coronel cearense, ou seja, deserde o pupilo que, pelo cargo que exerce, tem a obrigação de saber mas não sabe distinguir um aparelho de grampear de um que apenas faz varreduras de grampos, e chame Paulo Lacerda de volta para onde nunca deveria ter saído. O delegado Protógenes Queiroz também precisa retornar ao comando da Operação Satiagraha para provar que Daniel Dantas é o mais famoso bandido do País.

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