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quinta-feira, 27 de janeiro de 2022.
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Política

Assembleia pauta violência política contra as mulheres

Aconteceu nesta segunda-feira (29), na Assembleia Legislativa do Ceará, o I Encontro Estadual de Mulheres na Política, evento voltado para reunir representantes políticas do país para discutir temas relevantes à participação feminina nos espaços de poder. A iniciativa é da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa, sob o comando da deputada estadual Augusta Brito (PCdoB), e englobou cinco mesas de debate com diferentes tópicos.

Ganha destaque, em meio a isso, a discussão sobre a violência política contra a mulher no Brasil, discutida na abertura do evento, com a participação da ex-deputada federal e jornalista Manuela D’Ávila e da deputada estadual Isa Penna (Psol-SP). Augusta Brito lembra que foi sancionada em agosto, pelo governo federal, a lei que estabelece normas para a prevenção, repressão e combate à violência política contra a mulher. “Nós precisamos discutir e aprofundar realmente o que é essa violência política contra a mulher e como ela se apresenta. Sabendo como é, nós podemos nos utilizar dessa lei para fortalecer o nosso movimento e ocupar os espaços de poder devidamente, como deve ocorrer”, apontou.

Manuela D’Ávila salientou que, quando uma representante pública sofre um episódio de violência política, representado pela tentativa de se deslegitimar o seu papel político por conta do seu gênero, muitas mulheres se sentem desencorajadas a ocupar esses espaços. “Os episódios fazem a gente pensar que é algo contra uma de nós, só que eles atacam uma de nós criando um sistema de generalização, fazendo com que todas as outras se intimidem de serem expostas àquela violência. As mulheres comuns pensam: como eu vou entrar na política, se a Manuela tá ouvindo isso?”, refletiu. Ainda de acordo com ela, trata-se de um mecanismo adotado que visa inibir a participação feminina no geral e fazer com que as mulheres não levantem a voz contra o sistema e uma sociedade que exclui as mulheres, não só da política.

A deputada estadual Isa Penna, por sua vez, comentou sobre o episódio de assédio que ela sofreu por parte um colega parlamentar no plenário da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), em dezembro de 2020. Ela relatou que, naquele dia, foi assediada por diversos parlamentares, em razão de um vídeo seu que estava circulando nos celulares de várias pessoas. “Naquele momento, eu tive que fazer uma escolha muito séria, uma escolha de sobrevivência, que ia me doer muito, que era ir para a guerra, andar para a frente, mesmo estando muito machucada com o que estava ao redor”, pontuou a deputada estadual.

Isa Penna ressaltou que, mesmo com todos os percalços que teve que lidar após um ano do ocorrido, valeu o esforço de lutar contra o que aconteceu. “Valeu a pena tudo isso, porque, depois, a quantidade de mulheres que olhou para o meu caso, para a guerra que eu optei fazer, e decidiu se aliar a essa luta foi muito impactante”, reforçou.

Interior
Também foi abordada, na realização do encontro, a participação da mulher na política do interior do Ceará. Para Érika Amorim, que mediava o debate, a própria estrutura da política partidária mina a participação feminina nos municípios. “Muitas mulheres têm vontade, mas muitas vezes não se sentem acolhidas, empoderadas e estimuladas pelos partidos para estabelecerem de fato um mandato. Muitas conseguem, mas ainda temos pouquíssimas presidentes de partido, por exemplo”, registrou.

Na avaliação da deputada Aderlânia Noronha (SD), os desafios de ser um gestor ou representante público em cidades pequenas, de poucos recursos, são enormes, ainda mais para as mulheres. “Eu conheço o desafio que cada vereador teve que passar para ser candidato, depois para passar por uma campanha até a eleição. Não é um caminho fácil, não só durante a campanha, mas durante todo o percurso de mandato”, reconheceu.

Cotas
Em ainda outra discussão, a adoção de cotas de gênero e raciais também foi abordada. Para a co-vereadora de Fortaleza Louise Santana (Psol), houve avanços na elegibilidade das mulheres nas eleições 2020, em comparação com 2016, mas disse que o número ainda é “irrisório”. Ela destacou, na ocasião, que 4,4% das mulheres no Brasil foram eleitas para gerir prefeituras, representando 12% em um universo de 500 cidades brasileiras. Ela defendeu reservas de cotas para as mulheres no acesso à universidade, a concursos públicos e à política, para proporcionar igualdade de oportunidades.

Já a desembargadora e juíza eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral no Ceará (TRE-CE), Kamille Castro, citou pesquisa realizada pelo Instituto Justiça de Saia em parceria com a organização Justiceiras que concluiu que as mulheres brasileiras gostam e estão dispostas a participar de forma mais ativa na política. Ela aponta que 86,9% nunca se candidataram a um cargo público por falta de recursos partidários, seguido de 15% por medo da exposição e falta de capacitação ou na orientação na candidatura e campanha.

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