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Política

Bolsonaro é indiciado sob suspeita de fraude em cartão de vacina

quarta-feira, 20 de março 2024

A Polícia Federal (PF) indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o ex-ajudante de ordens Mauro Cid, o deputado federal Gutemberg Reis (MDB-RJ) e outras pessoas no caso que apura a falsificação de certificados de vacinação contra covid-19. Eles foram indiciados sob suspeita dos crimes de inserção de dados falsos em sistema público e associação criminosa.

O relatório final da PF ao qual a reportagem teve acesso diz que, “conforme apresentado, os elementos acostados nos autos evidenciaram que os investigados se associaram com o fim de praticar inserções de dados falsos relacionados a vacinação contra a covid-19 nos sistemas do Ministério da Saúde”. A informação foi revelada inicialmente pelo G1 e confirmada pela reportagem.
“Tais condutas tiveram como consequência a alteração da verdade sobre fato juridicamente relevante, qual seja, a condição de imunizado contra a covid-19 dos beneficiários”, cita ainda o texto. A pena para associação criminosa é a reclusão de 1 a 3 anos. Já a inserção de dados falsos em sistema de informações tem pena de reclusão de 2 a 12 anos, além de multa.

O advogado de Bolsonaro, Fábio Wajngarten, reclamou nas redes sociais do que chamou de vazamento da investigação. “É lamentável quando a autoridade usa a imprensa para comunicar ato formal que logicamente deveria ter revestimento técnico e procedimental ao invés de midiático e parcial”, afirmou.
A defesa de Marcelo Câmara e Sergio Cordeiro, disse por nota que se manifestará de modo completo após ter acesso aos dados da investigação, como “mídias, documentos”, bem como ao conteúdo da delação premiada de Mauro Cid. “Somente após ter acesso integral a esses elementos é que a defesa irá se manifestar de forma mais completa e assertiva, acreditando ser possível, sempre com o devido acatamento, demonstrar os equívocos que permearam a interpretação da autoridade policial para o indiciamento dos investigados, o que, certamente, desaguará na ausência de elementos para que o procurador-geral da República ofereça denúncia.”

O advogado do sargento Luis Reis também informou que somente se manifestará após ter acesso aos dados da investigação. A reportagem procurou a defesa de Cid e o deputado Gutemberg, mas não responderam até o fechamento desta edição.
Esse é o primeiro de três investigações envolvendo Bolsonaro que a PF espera concluir até julho. Os investigadores apuram também a participação do ex-presidente na trama para tentar dar golpe de Estado e caso sobre joias recebidas da Arábia Saudita.

Essa relativa ao indiciamento está vinculada ao inquérito das milícias digitais, que tramita em sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF) sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Foi no âmbito desse caso que ocorreu o acordo de delação premiada de Mauro Cid.
Segundo suspeitas da Polícia Federal, dados falsos de vacinação foram inseridos em registros do Sistema Único de Saúde (SUS) do então presidente para emitir certificado. Em maio de 2023, a PF cumpriu mandado de busca e apreensão no endereço de Bolsonaro e de prisão contra Mauro Cid e Max Guilherme, outro ex-assessor de Bolsonaro.
Na ocasião, Bolsonaro prestou depoimento e disse que não determinou a inserção de dados falsos nas carteiras de vacinação dele e da filha. Também afirmou que teve conhecimento da adulteração quando esse tema começou a ser divulgado pela imprensa.

Em depoimento à PF, Gabriela Santiago Cid, mulher do tenente-coronel, admitiu ter usado certificado falso de vacinação e culpou o marido pela inclusão de dados falsos no sistema do Ministério da Saúde. Confira a lista de indiciados: Jair Bolsonaro, Mauro Cid, Gabriela Cid, João Carlos de Sousa Brecha, Cláudia Helena Acosta Rodrigues da Silva, Célia Serrano da Silva, Gutemberg Reis, Ailton Gonçalves Barros, Sérgio Rocha Cordeiro, Max Guilherme Machado de Moura, Marcelo Fernandes Holanda, Camila Paulino Alves Soares, Luis Marcos dos Reis, Farley Vinícius Alcantara, Eduardo Cresp Alves e Paulo Sergio da Costa Ferreira.

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