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Política

Braço direito de Pazuello na Saúde critica Pfizer na CPI

quinta-feira, 10 de junho 2021

Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19 no Senado, nesta quarta-feira (9), o coronel Élcio Franco, ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, criticou duramente a Pfizer, os termos apresentados pela empresa ao governo brasileiro e afirmou que havia desconfiança em relação à vacina que a farmacêutica americana oferecia. Ele atuou, durante a gestão do ex-ministro Eduardo Pazuello, como seu número dois na pasta.

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“Diferente de outros laboratórios com os quais tratávamos, nos pareceu que ela queria se isentar da responsabilidade civil sobre efeitos colaterais graves, nem ela confiava no que estava vendendo pra gente. Essa foi uma primeira impressão”, afirmou. O coronel também disse que as exigências não eram apresentadas a países desenvolvidos, como os Estados Unidos, e lembrou que a Pfizer respondeu a processos por promover medicamentos não aprovados pelo FDA, órgão equivalente à Anvisa nos EUA.

Durante o depoimento, o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), lembrou que 81 correspondências foram enviadas pela Pfizer ao governo federal. O senador afirmou que em cerca de 90% não houve resposta da gestão. O ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde argumentou que algumas correspondências citadas pelo senador eram respostas de demandas da pasta e que a empresa também mandava emails repetidos.

Franco alegou que a falta de respostas deveu-se, entre outros motivos, a “problemas técnicos”. “A Pfizer às vezes mandava o mesmo e-mail três ou quatro vezes no mesmo dia. A minha caixa de e-mails, e a de todo o ministério, ficou inoperante entre 5 e 12 de novembro. Também o senhor Carlos Murillo [presidente da Pfizer Brasil] tinha meu telefone e podia ter se comunicado se tivesse algum gap.” Disse ainda que o primeiro contato dele com representantes da farmacêutica americana foi em agosto do ano passado: “Em agosto eles nos apresentaram o primeiro memorando de entendimento e ele tinha as cláusulas que falamos. Nesse primeiro memorando eles já afirmavam que não garantiam o sucesso do desenvolvimento da vacina.”

Ele também defendeu que não houve incompetência ou ineficiência na negociação com o laboratório, como sugeriu o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten, em seu próprio depoimento à CPI. “Deve ter sido a percepção dele, mas não foi isso que aconteceu”, disse.

CoronaVac
As discussões também abordaram tratativas com produtores de outras vacinas, como a CoronaVac. Senadores apontaram que as negociações entre a União e o Butantan foram suspensas por vários meses a partir de outubro de 2020, depois que o presidente Jair Bolsonaro mandou cancelar publicamente um protocolo de intenções assinado pelo Ministério da Saúde para aquisição de 46 milhões de doses da CoronaVac.

O coronel afirmou que, apesar das declarações do presidente, a negociação não foi interrompida, e deu a entender que a falta de iniciativa foi do Butantan. “O doutor Dimas Covas [diretor do Butantan] tinha meu telefone. Eles poderiam ter mandado mensagem para meu WhatsApp, poderiam ter conversado comigo. O problema que aconteceu foi a politização pelo governo do Estado de São Paulo”, disse Franco. (Com informações da Agência Senado)

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