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Política

Capitão critica Sarto, afaga Camilo e diz que André e Girão não têm perfil de conciliação

segunda-feira, 10 de junho 2024

“Fico muito preocupado quando alguém defende só armar a Guarda Municipal”, dispara Wagner para prefeito Sarto. Entrevista faz parte da série Eleições 2024 do O Estado CE

Gabriela de Palhano e Kelly Hekally

Capitão Wagner (União Brasil) é candidato pela terceira vez ao Paço Municipal / Fotos: Dalila Lima

O Estado CE inicia nesta segunda-feira (10) a série Eleições 2024, com entrevistas com os pré-candidatos à Prefeitura de Fortaleza: André Fernandes (PL), Capitão Wagner (União Brasil), Eduardo Girão (Novo), Evandro Leitão (PT), José Sarto (PDT) e Técio Nunes (PSOL). O primeiro a conversar com as jornalistas Gabriela de Palhano e Kelly Hekally foi o ex-secretário de Saúde de Maracanaú, Capitão Wagner.

O também ex-deputado federal foi candidato ao Paço Municipal em 2016 e em 2020. Foi derrotado por Roberto Cláudio e José Sarto, respectivamente. Ex-prefeito e prefeito são do PDT. As publicações acontecerão semanalmente, às quartas e sextas-feiras, na edição impressa e nas plataformas multimídia do O Estado CE.

Na entrevista – disponível também no canal YouTube (@CanalOEstadoCE), na íntegra, logo mais, a partir das 10 horas, e na edição digital, o aliado e correligionário do prefeito Roberto Pessoa defende que vai atuar de maneira exitosa sem padrinhos políticos e “com independência”, aponta realizações da pasta municipal que deixou este ano, critica Sarto, se coloca como mais influente que André Fernandes e Girão e afaga o governador Elmano de Freitas e o ministro Camilo Santana, ambos do PT.

“E é fato que foram os padrinhos políticos, Lula e Camilo, que alçaram Elmano ao governo, mas nem sempre a política é assim. A Luizianne quando se elegeu teve padrinho político? Não. Brigou com o partido, foi para cima, convenceu o eleitor de Fortaleza e ganhou a eleição”. Confira os principais trechos.

O Estado CE – O senhor, novamente, desponta como favorito nas pesquisas. O que terá de diferente desta vez?
Capitão Wagner –
A conjuntura é bem diferente das eleições anteriores, e ela parece ser favorável à nossa candidatura. Lógico que as intenções de votos que aparecem nas pesquisas não definem o resultado do dia 6 de outubro, mas demonstram que a gente conseguiu manter o recall da eleição de governador [de 2022]. Ganhei a eleição em Fortaleza. Em todas as outras campanhas, a gente teve um bom resultado no segundo turno, e o grande desafio era ganhar o segundo turno. Nessa, o desafio vai ser passar para o segundo turno. Na medida em que a gente passa para o segundo turno, vai ter a oportunidade de formatar uma aliança que a gente nunca formatou, com candidatos que não venham a estar no segundo turno, e essa aliança pode ser a cereja do bolo que permita nossa eleição. A gente entende que Fortaleza é uma cidade extremamente complexa e não tem como alguém imaginar como vai ser um governante para determinado eixo ideológico. Tem gente querendo dizer que vai ser o candidato da direita, da esquerda, e a gente está numa cidade heterogênea. O prefeito que tenha realmente o projeto da Cidade tem que entender que ele vai governar para os empresários e para os empregados, para a área nobre e para a periferia. O grande desafio a partir do dia 1º de janeiro [de 2025] é a gente reunificar a nossa Cidade. A periferia hoje se sente abandonada. As pessoas se sentem desprezadas pelo poder público. Basta ver o lixo tomando conta das calçadas. A segurança e a saúde não funcionam adequadamente. A gente formatou um plano de governo que está sendo aperfeiçoado, inclusive trazendo um debate de que a Prefeitura não tem responsabilidade sobre a segurança pública. É um tema que vai estar muito vivo no debate político, além da questão ambiental e geração de emprego e renda. Vai ser uma eleição com um debate bem amplo.

O Estado CE – No âmbito da Prefeitura, o que pode ser feito além do que Sarto anunciou, que é armar a Guarda Municipal?
Capitão Wagner – Fico muito preocupado quando alguém defende só armar a Guarda Municipal. Defendo que a Guarda Municipal seja treinada, preparada, equipada e armada, mas para além disso a gente tem que entender que o papel da Prefeitura em relação à segurança pública é preventivo. Em tudo, a Prefeitura tem que estar no alicerce, e a obrigação é melhorar a iluminação pública, ocupar os espaços públicos para evitar que o crime ocupe-os. O ex-prefeito Roberto Cláudio implementou com o Moroni [Torgan] o programa das torres de segurança da Guarda Municipal. Em todos os lugares em que a torre foi instalada e funcionou efetivamente, houve redução dos índices de violência. Quando o Sarto assumiu, ele desativou esse programa, e todos os índices de violência voltaram a crescer. Faltou entendimento do papel da Guarda quando o Sarto assumiu. Durante esses três anos e meio ele ficou escondido, ele reapareceu agora no quarto ano de governo e está entregando muitas obras, a Cidade perdeu muito com isso. Então, espero que o entendimento do Sarto seja mais amplo que simplesmente só armar a Guarda.

O Estado CE – Como o senhor vai promover segurança pública sem invadir a competência do Governo do Estado, já que o policiamento ostensivo é de competência do Estado?
Capitão Wagner – Estive com o Sindicato dos Médicos do Ceará, e uma grande preocupação desses médicos é que eles trabalham em postos de saúde da periferia, especialmente em área dominadas pelo crime organizado, e infelizmente já tivemos muitos assassinatos dentro de postos de saúde, dentro de escolas municipais e dentro daquele equipamento a responsabilidade é única e exclusivamente do Município. Não tem como a Polícia Militar fazer um policiamento dentro da escola […] Temos que ter esse entendimento de não invadir o que é competência da Polícia Civil, da Militar, da Federal, mas temos que dar nossa parcela de contribuição […] A Guarda Municipal pode sim atuar em um espaço público. Há várias formas de você manter um ambiente seguro sem necessariamente estar usando armas de fogo. Acredito muito que um espaço que está sendo ocupado com coisas positivas, empreendedorismo, feiras, atividades culturais, que reúnam as famílias, por si só já inibem o crime. Uma rua esburacada, terrenos baldios e até buraco podem ser causadores de assalto.

O Estado CE – O senhor foi secretário de Saúde em Maracanaú. O que foi feito lá que pode ser replicado aqui?
Capitão Wagner – O grande desafio de um gestor na saúde pública é resgatar a credibilidade do serviço de saúde. A gente tirou Maracanaú de uma nota cinco na atenção primária para uma nota nove. Melhoramos as consultas de hipertensos, diabéticos e a cobertura vacinal. Em todos os sete indicadores melhoramos, e por isso tiramos nove. Implementamos telemedicina com médicos do Sírio Libanês, com a ajuda do Governo Federal. Hoje, se a mulher precisar de uma consulta com o cardiologista, dermatologista, ela vai para o posto e tem primeiro uma consulta com o clínico geral. Se ele não resolver, marca e na semana seguinte tem uma consulta com o especialista. Maracanaú tem 28 postos e 27 tem telemedicina. Fortaleza tem 113 postos, mas nenhum com telemedicina. Queremos trazer a telemedicina para cá, melhorar os indicadores da atenção primária, oferecer ao morador da periferia serviço de saúde bucal 24 horas, mas tem uma área que a gente tem que ter uma atenção especial: a cada dia, aumenta o diagnóstico de crianças autistas, uma área em que o poder público tem que se preparar. E a gente fez isso em Maracanaú.

O Estado CE – Capitão, Fortaleza tem cerca de dez vezes mais habitantes. De que forma o senhor vai conseguir replicar?
Capitão Wagner – Do jeito que temos uma população dez vezes menor, nosso orçamento lá é dez vezes menor também em relação a Fortaleza. Na verdade, a gente vai ter que fazer isso em escala. Se eu for o prefeito, quero colocar a saúde como prioridade e tenho um secretário com o mesmo perfil que fiz gestão em Maracanaú. Talvez não no mesmo tempo e na mesma velocidade que fizemos em Maracanaú, de um ano, mas eu vou ter quatro anos, muito mais tempo, mais recurso e logicamente uma condição mais favorável para alcançar esse resultado. Não espero transformar Fortaleza em uma referência de saúde já no primeiro ano, mas espero plantar um alicerce que me permita ao final do governo escutar as pessoas dizerem que agora estão indo num posto de saúde e estão recebendo medicamento […] A gente vive ainda, além do problema da saúde e social, esse conflito territorial que o prefeito vai ter que ter habilidade para se sobrepor a isso. A gente pretende entrar nessas comunidades prestando serviço e levando a paz, porque tem gente prometendo que vai resolver o problema da violência com guerra, mas não acredito que com guerra a gente vença o problema da violência. A gente tem que levar a paz, o serviço público, tratar as pessoas da periferia com a mesma dignidade de quem mora na área nobre.

O Estado CE – Como policial, o senhor acha que vai conseguir fazer isso?
Capitão Wagner – Tenho certeza. Estive no Rio de Janeiro visitando as UPPs [Unidades de Polícias Pacificadoras], em 2016, quando fui candidato pela primeira vez aqui. Quando cheguei lá, a comunidade viu que eu era de fora e me abordou dizendo […] que ‘não tem uma creche para os nossos filhos, uma quadra esportiva, lama no meio da rua, não tem saneamento básico’. A população muitas vezes se sentia mais amparada pelo crime do que pelo próprio Poder Público, que é o que está acontecendo em Fortaleza. A gente vai usar as associações, as igrejas, a gente vai usar toda e qualquer instituição que queira colaborar. Se a gente entrar nessas comunidades com prestação de serviços, aproximação da população e em seguida vir com aparato de segurança para garantir a paz, as coisas vão acontecer.

O Estado CE – Estamos vendo no Ceará mais uma polarização entre Prefeitura e Estado. Vencendo, como vai ser seu diálogo com o governador Elmano?
Capitão Wagner – Dia 1º de janeiro, eu estou batendo na porta do governador, no governo federal. Fui deputado estadual junto com o governador. Votei no governador quando ele foi candidato a prefeito em 2012. Tenho uma boa relação em Brasília. Fortaleza é uma cidade turística e Celso Sabino [ministro do Turismo] é meu amigo, do nosso partido. O próximo presidente da Câmara dos Deputados provavelmente será o deputado Elmar Nascimento (Bahia). O [deputado federal] Moses [Rodrigues] é super bem relacionado nas comissões. Danilo Forte foi relator agora da Lei de Diretrizes Orçamentárias, tem muita força para trazer recursos, minha esposa que é deputada federal, Dayany Bittencourt, tem a Fernanda Pessoa (todos são do União Brasil). Tem um time em Brasília que, assim como me ajudou em Maracanaú para levar recursos, vai me ajudar a trazer aqui para Fortaleza sem dúvida nenhuma. Mas, para além da questão do recurso, a possibilidade de a gente estabelecer convênios com o Governo Federal […] Eu não tenho dificuldade nenhuma de fazer política institucional. No primeiro dia de governo, já quero bater na porta dos ministros, quero reunião com o secretário de Segurança do Estado para gente celebrar convênios.

O Estado CE – Hoje, o principal capital político do Estado é o ministro Camilo Santana. Como o senhor vê, pensando num cenário vitorioso, essa resposta do “lado de lá”?
Capitão Wagner – Fui deputado estadual junto com o governador Elmano, tenho uma boa relação com a Luizianne [Lins], fui deputado estadual com o atual presidente da Assembleia [Legislativa] Estadual, o Evandro [Leitão] e com o Sarto. Tenho condições de interagir com todos esses atores da política atual. O próprio Camilo: tive uma relação num primeiro momento de aproximação, no momento dos Ferreira Gomes, quando havia uma oposição muito intensa. Ele assumiu, a gente teve uma aproximação e no final da gestão já houve um afastamento, por uma série de fatores. E não tenho dificuldade nenhuma de sentar com Camilo. Já sentei diversas vezes com Cid [Gomes]. A única figura política com quem nunca sentei nem planejo sentar é o Ciro Gomes, mas não por nada pessoal, mas acho que não é conveniente. Com Roberto Cláudio já sentei, discuti. Então, o único ator que se apresenta como candidato à Prefeitura de Fortaleza que tem essa amplitude de conversar da direita à esquerda acredito que sou eu. André Fernandes [PL] não tem essa condição, Eduardo Girão [Novo] não tem essa condição. No campo de lá, o Evandro já tem dificuldade de sentar com o pessoal da direita, o Sarto tem dificuldade de sentar com o PT hoje.

Capitão Wagner disputa Prefeitura de Fortaleza pela terceira vez

O Estado CE – O senhor se coloca como outsider. Como o senhor planeja governar sem a articulação de um padrinho político?
Capitão Wagner – A articulação do padrinho político funciona quando o político não tem a capacidade de fazer a articulação. Elmano hoje tem condição de fazer uma articulação em Brasília? Não tem. O Elmano foi escolhido na véspera da eleição, era uma pessoa que teria dificuldade se fosse concorrer à reeleição de deputado estadual. O Elmano veio de um quarto lugar na Prefeitura de Caucaia. E é fato que foram os padrinhos políticos, Lula e Camilo, que alçaram Elmano ao governo, mas nem sempre a política é assim. A Luizianne quando se elegeu teve padrinho político? Não. Brigou com o partido, foi pra cima, convenceu o eleitor de Fortaleza e ganhou a eleição. O eleitor fortalezense tem uma característica um pouco diferente do eleitor do interior. Basta ver o resultado da última eleição, que eu ganhei em Fortaleza e perdi no interior. Quero ser um prefeito independente. E prefeito independente é alguém que tenha condições de se relacionar de A a Z. O Roberto Pessoa, que para mim é uma referência de política, ele tem essa capacidade, e por isso a gestão de Maracanaú é muito boa.

O Estado CE – O senhor ainda espera o apoio do PL para ir com mais força?
Capitão Wagner – Espero que a gente tenha sim a condição de uma aliança mais ampla. Se o PL mantiver a candidatura, a gente vai encarar com muita naturalidade, mas tenho deixado muito claro desde a eleição de 2020, que tenho me apresentado como a pessoa que vai ter a palavra final. Quando a gente vê o Sarto eleito da forma como foi eleito, a própria composição do secretariado, ele não tem liberdade. Elmano agora fez uma reforma administrativa que talvez tenha colocado alguém dele, mas até o mês passado o secretariado era todo dos aliados. Isso é natural quando se é eleito pelo padrinho. Caminho foi do mesmo jeito quando foi eleito pelo Cid. O secretariado era todo do Cid, e num segundo governo foi que o Camilo conseguiu colocar alguém dele. E eu não quero ter um primeiro governo dos outros mandando para eu mandar só no segundo. Já quero mandar no primeiro.

O Estado CE – André Fernandes, Evandro e Sarto: num eventual segundo turno, quem vai lhe dar menos trabalho e mais trabalho?
Capitão Wagner – Acho muito difícil dois candidatos de centro-direita estarem juntos no segundo turno. Não é que seja impossível, mas acho muito difícil, da mesma forma que acho muito difícil dois do campo de centro-esquerda estarem lá. Acho que entre eu e André alguém vai para o segundo turno e que entre Sarto e Evandro alguém vai pro segundo turno […] Quem está mais desgastado hoje é o Sarto, por ser o prefeito. Isso é natural. A preço de hoje, o Sarto é quem está mais desgastado, ou seja, o que daria menos trabalho. Pode ser que daqui a dois meses ele tenha uma aprovação maior, o desgaste do André cresça […] O mais, talvez, o Evandro, pela magnitude da aliança que ele tem.

O Estado CE – Por que o senhor quer ser prefeito?
Capitão Wagner –
Eu devo muito à cidade de Fortaleza. Tudo que eu tenho na minha vida foi Fortaleza que me deu […] Eu queria

Assista à entrevista na íntegra no canal do O Estado CE:

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