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Política

Crise Lula-Israel municia bolsonaristas

quarta-feira, 21 de fevereiro 2024

A crise Lula-Israel deu munição à oposição e mobilizou aliados de Jair Bolsonaro (PL) para novo pedido de impeachment contra o presidente da República, mas líderes de bancadas no Congresso Nacional afirmam ser zero a chance de a ofensiva prosperar após as declarações do petista comparando a ofensiva do país em Gaza ao extermínio de judeus promovido por Adolf Hitler durante a Segunda Guerra Mundial.
Bolsonaristas da Câmara, em especial a bancada do PL, prometeram protocolar ontem (20), com a assinatura de mais de 100 deputados, o 18º pedido de impeachment de Lula (PT) desde 2023, o segundo relativo ao caso de Israel. Os pedidos anteriores, alguns deles também feitos em grupo pelos deputados, englobam série de episódios, que, na argumentação dos parlamentares ligados a Bolsonaro, mereceriam a destituição do presidente. O primeiro deles foi apresentado com apenas 26 dias de mandato.
Entre os motivos elencados nas peças, há suposta omissão de Lula nos ataques bolsonaristas de 8 de janeiro de 2023, a recepção ao ditador Nicolás Maduro em maio do ano passado, a revogação dos decretos de armas de Bolsonaro e a indicação de Cristiano Zanin ao Supremo Tribunal Federal (STF). Na segunda-feira (19), integrantes do PL protocolaram pedido de impeachment contra Lula sobre o caso Israel, de acordo com a Câmara, que informou como autores apenas o nome do deputado André Fernandes (PL/CE) “e outros”.
O pedido dessa terça tinha previsão de ser encabeçado pela deputada Carla Zambelli (PL/SP). Cabe ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP/AL), analisar esses casos e decidir se dá sequência ou não. Até agora, ele arquivou dois deles, apresentados pelos deputados bolsonaristas Sanderson (PL/RS) e Evair Melo (PP/ES) em janeiro de 2023. Ambos pediam a destituição do presidente por ele ter dito, em visita à Argentina, que o impeachment de Dilma Rousseff em 2016 havia sido um golpe de Estado.
O resto segue “em análise”, que é o provável destino dos pedidos apresentados em relação ao caso de Israel, de acordo com os parlamentares ouvidos. Lira não tem prazo para analisar esses pedidos, que podem ficar na gaveta por tempo indeterminado. Em caso de arquivamento da solicitação, pode haver recurso ao plenário.
Segundo os parlamentares ouvidos, apesar disso o pedido de impeachment é, por ora, um assunto restrito apenas ao círculo de deputados bolsonaristas mais radicais, que se concentram no PL de Bolsonaro. Há no partido desde integrantes do governo anterior, como o General Pazuello (RJ), Mario Frias (SP) e Marcelo Álvaro Antônio (MG), a pessoas diretamente ligadas ao ex-presidente, como Eduardo Bolsonaro (SP), filho dele, e Helio Lopes (RJ), amigo de longa data.
Mesmo no PL, a movimentação não é unânime, já que o grupo mais antigo, que integra o centrão, quase nunca acompanha as ações dos bolsonaristas e, em alguns casos, até vota a favor do governo. Dos 96 deputados do partido, 28 não assinaram o pedido de acordo com lista divulgada pela deputada Carla Zambelli na segunda.
Apesar de ter ampla maioria formal de apoio, Lula vive uma relação de turbulências com o centrão, controlado por Lira, que por ora tem concentrado esforços na briga por emendas parlamentares e dinheiro extra da Saúde. Apesar dessa relação tensa, nunca um impeachment entrou no radar das negociações, até porque, como repetem políticos mais experientes, é preciso combinação de fatores por ora inexistente para que haja ambiente de discussão sobre destituição de um presidente. Informações atualizadas até o fechamento desta edição.

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