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Política

Generais cearenses são alvos de operação sobre tentativa de golpe

sexta-feira, 09 de fevereiro 2024

Dois generais cearenses estão entre os alvos da operação Tempus Veritatis, deflagrada pela Polícia Federal (PF) nessa quinta-feira (8), que investiga a existência de organização criminosa para atuar em tentativa de golpe de Estado e abolição do Estado Democrático de Direito, para obter vantagem política ao então presidente Jair Bolsonaro (PL), derrotado na eleição de 2022. Policiais federais cumpriram medidas judiciais, expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em diversos estados do país, incluindo o Ceará.

Os militares cearenses na mira da operação são o general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, ex-ministro da Defesa, e o general Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, ex-chefe do Comando de Operações Terrestres do Exército.

Os dois estão entre grupo de oficiais-generais das Forças Armadas que discutiram com Bolsonaro a edição de um decreto golpista contra a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na presidência da República, segundo investigação da PF que teve acesso a mensagens nos celulares do tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, e de outros investigados.

Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira é natural de Iguatu, no Centro-Sul do Ceará. Foi ministro da Defesa e Comandante do Exército no governo de Jair Bolsonaro. Quando Comandante do Exército, isentou o general Eduardo Pazuello de punição por ter subido a um palanque junto com Bolsonaro.
Como ministro da Defesa, foi um dos líderes do bolsonarismo contra o sistema eletrônico de votação, formulando questionamentos por vezes disparatados e colocando em dúvida reiteradas vezes a segurança das urnas eletrônicas. Em 2022, após a eleição presidencial, ele entregou um relatório ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) das Forças Armadas que questionava a segurança do processo eleitoral.
Paulo Sérgio é um dos cinco oficiais-generais de quatro estrelas, no topo da carreira militar, atingidos pela operação da PF.

Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira é natural de Fortaleza, já tendo comandado a 10ª Região Militar, na capital cearense. De uma tradicional família militar, ele é irmão do também general da reserva Guilherme Teophilo, que foi candidato a governador do Ceará pelo PSDB em 2018, secretário nacional de Segurança Pública durante a gestão de Sérgio Moro no Ministério da Justiça e atualmente é presidente do partido Novo em Fortaleza.

Recém-passado à reserva, Estevam é ex-chefe do Comando Militar da Amazônia e do Comando de Operações Terrestres do Exército (Coter). É apontado nos bastidores do Exército como um dos mais bolsonaristas entre os integrantes do Alto Comando da corporação nos últimos anos do governo Bolsonaro, portanto, durante o 8 de Janeiro.
A PF concluiu, a partir das mensagens de Mauro Cid, que Teophilo se reuniu com Bolsonaro e teria concordado em executar as medidas que culminariam na consumação do golpe de Estado.
De acordo com os mandados assinados pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, tanto Paulo como Estevam foram alvos de busca e apreensão. Assim, eles ficam proibidos de se ausentar do Brasil e de manter contato com outros investigados, inclusive por meio de advogados.

Operação
Nessa quinta-feira (8), a PF cumpriu 33 mandados de busca e apreensão, quatro mandados de prisão preventiva e 48 medidas cautelares diversas da prisão. As apurações apontam que os investigados se dividiram em núcleos de atuação para disseminar a ocorrência de fraude nas eleições de 2022.
O primeiro consistiu na propagação da versão de fraude eleitoral, por meio da disseminação falaciosa de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação. O segundo consistiu na prática de atos para subsidiar a abolição do Estado Democrático de Direito, através de golpe de Estado, com apoio de militares com conhecimentos e táticas de forças especiais no ambiente politicamente sensível.

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