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Política

Governo e base minimizam relatório sobre decisões de Moraes

sexta-feira, 19 de abril 2024

O governo do presidente Lula (PT) e parlamentares da base buscaram minimizar o impacto da divulgação de decisões sigilosas do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, em que ele determina a derrubada de perfis nas redes sociais. A visão de membros governistas é a de que se trata de um factoide, que pode provocar alvoroço entre bolsonaristas, mas sem efeitos práticos.
Integrantes do governo optaram por não comentar publicamente o episódio, justamente pela avaliação de que o assunto não terá grandes desdobramentos. A análise interna é a de que a divulgação do relatório pela comissão do parlamento americano será explorada por apoiadores de Jair Bolsonaro (PL), em particular na mobilização para a manifestação prevista para ocorrer no próximo domingo (21), no Rio de Janeiro.
Um interlocutor do governo disse que a divulgação das decisões não terá nenhum efeito prático e que pode se voltar contra bolsonaristas, considerando que o documento volta a colocar em evidência mensagens golpistas. Após a divulgação dos documentos, parlamentares da oposição passaram a discutir apresentar novos pedidos de impeachment contra Moraes.
Segundo relatos, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL/PB) começou a procurar os colegas para colher assinaturas. Há a avaliação entre os próprios membros da oposição, no entanto, de que esse tema não deverá comover outros setores da Câmara, mas apostam em uma mobilização da militância para pressionar qualquer iniciativa no Congresso Nacional.
A deputada Carla Zambelli (PL/SP) disse acreditar que isso pode ser encampado por parlamentares de centro e gerar o “reposicionamento de vários membros do Congresso”, porque, na avaliação dela, Lula e Moraes estão enfraquecidos. “Deve haver um posicionamento do Pacheco e do Lira para fortalecer o Legislativo. Finalmente entenderam que a gente estava vivendo um papel terciário, nem secundário, no que tange a definição do que está acontecendo no Brasil. As pessoas do centro estão vendo isso, não são bobos”, afirmou
A divulgação do relatório mobilizou nas redes sociais aliados de primeira hora de Bolsonaro. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL/SP), filho do ex-presidente, compartilhou foto do documento e escreveu que “se as redes sociais fossem regulamentadas jamais veríamos o rei nu como estamos vendo”, referindo-se a Moraes. Em outra publicação, afirmou que “o jogo está apenas começando”.
O senador Marcos do Val (Podemos/ES), um dos alvos de Moraes citados no relatório americano, divulgou o documento por meio de seu WhatsApp, ao qual têm recorrido desde que teve todas as demais redes sociais bloqueadas, em junho do ano passado. Ele disse em uma das mensagens enviadas à imprensa que entregou parte da documentação divulgada e repetiu, falsamente, que houve participação do governo Lula no ataque aos três Poderes, em 8 de janeiro.
Aliados do presidente no Congresso, por outro lado, aproveitaram a divulgação do relatório para criticar Elon Musk e afirmar que se trata de uma estratégia da extrema-direita para atacar as instituições. “É urgente botar um paradeiro nessa escalada contra nosso país e nossas instituições. A liberdade que eles proclamam é exclusivamente para oprimir e se impor”, escreveu nas redes sociais a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR).
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD/MG), também minimizou a divulgação durante a reunião de líderes desta quinta e voltou a defender a regulamentação das redes, segundo relatos feitos à reportagem.

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